Flávio Bolsonaro tinha acesso a conta de offshore investigada por lavagem de dinheiro, aponta PF
Documentos bancários obtidos pela PF citam o presidenciável em registros associados a empresa de advogado investigado. Flávio nega relação financeira e recorre a Moraes para acessar o inquérito.
A Polícia Federal identificou registros bancários que associam o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma conta vinculada à offshore Alcazar Holdings, empresa sediada em Portugal e ligada ao advogado Willer Tomaz. Os documentos integram uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
E-mails obtidos pelos investigadores indicam que uma conta identificada com o nome de Flávio estava associada a um cadastro de usuário com acesso privilegiado no Santander. Em maio de 2025, uma funcionária do advogado solicitou ao banco a retirada dessa vinculação. A instituição confirmou a exclusão.
A apuração também identificou viagens internacionais de Flávio e familiares custeadas por empresas ligadas a Tomaz. Segundo os investigadores, os vínculos entre o senador e o advogado precisam ser esclarecidos diante das suspeitas de movimentações financeiras irregulares envolvendo plataformas de apostas.
O caso chegou ao STF após a identificação de referências ao parlamentar em uma investigação iniciada na Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Na terça-feira (20), Flávio pediu a Moraes acesso aos autos do inquérito, que tramita sob sigilo.
A investigação ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (21), com a divulgação de dados do Ministério da Fazenda sobre movimentações de aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas atribuídas a Willer Tomaz em 2025. O valor está relacionado ao advogado e não há demonstração de que tenha sido movimentado por Flávio.
Flávio nega ter compartilhado conta bancária com Tomaz e afirma que mantém apenas uma relação de amizade com o advogado. A defesa de Tomaz também rejeita irregularidades e sustenta que seus recursos têm origem lícita. Até o momento, os elementos divulgados não comprovam que o candidato tenha realizado movimentações financeiras ilegais.