STF abre inquérito contra Flávio e Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro
Segundo apurações da PF, ex-servidor do STJ ajudou repassando informações privilegiadas para advogado
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira (19), a Operação Linceu que apura suspeitas de violação de sigilo funcional por um funcionário comissionado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que teria facilitado o acesso indevido de terceiro a informações de processos em tramitação na Corte. Trata-se do ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do tribunal Humberto Fontoura Pradera, que foi exonerado do cargo na última sexta-feira (16). Segundo as investigações dos agentes, o ex-funcionário antecipava o conteúdo de decisões do STJ ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Pradera é investigado pelos crimes de violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, e peculato eletrônico (quando um funcionário altera, insere ou exclui dados em sistemas da Administração Pública para obter vantagem). As informações iniciais não identificaram o que o ex-servidor do STJ supostamente receberia em troca de repassar as informações privilegiadas a Tomaz.
Bets
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no último domingo (18). Já circulava no Supremo desde 8 de outubro uma investigação que apura supostos crimes de evasão de divisas (a saída ilegal de dinheiro ou de ativos financeiros do Brasil para o exterior, sem a devida autorização legal) e lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas esportivas (Bets). A PF investiga transações financeiras de R$ 1,4 bilhão entre Willer e o site de apostas Blaze, operado no Brasil pela empresa Foggo Entertainment.
O caso começou a ser investigado pela Justiça Federal no Rio Grande do Sul que inicialmente mirava apenas no advogado. Ao quebrar os sigilos telemáticos de Tomaz, foram identificados no iCloud do advogado e-mails que apontavam Flávio Bolsonaro como usuário de uma conta bancária pertencente a uma empresa do advogado e amigo do candidato. Como Flávio tem foro por prerrogativa de função por ser um senador, o caso foi para o STF e Moraes foi sorteado relator do caso.
Amigos de longa data, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam ter conta bancária compartilhada.
Esta não é a primeira investigação de Flávio e Willer. Flávio também é investigado no STF pelo financiamento que negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “Dark Horse”.
Eles negociaram um financiamento de R$ 134 milhões e Vorcaro chegou a transferir ao menos R$ 61 milhões para o longa-metragem. Willer por sua vez é investigado por envolvimento com os desvios de recursos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).