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Bolsa Família é cabo de guerra entre campanhas de Flávio e Lula

Governo antecipou pagamentos para antes da eleição; Flávio anuncia transição de dois anos para beneficiários

Por Gabriela Gallo

Bolsa Família vira peça do debate eleitoral

O governo federal antecipou o pagamento do Bolsa Família no mês de outubro, concentrando os depósitos em três datas: a partir desta segunda-feira (19) receberão os beneficiários com o Número de Identificação Social (NIS) que termina com 1; terça-feira (20) quem tem o NIS que termina em 2 receberá seu benefício, e na quarta-feira (21) serão depositados os pagamentos para NIS com finais 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Com isso, todas as pessoas cadastradas no programa social receberão o benefício antes do segundo turno eleitoral, que ocorre neste domingo (25).

A antecipação foi comunicada nesta segunda-feira. Após o reajuste de 15% anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os beneficiários passam a receber R$ 691 por família.

Após o anúncio do poder Executivo, no mesmo dia, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora econômica da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, anunciou que, caso Flávio ganhe a corrida eleitoral e seja o novo chefe de Estado no próximo ano, será implementado um período de dois anos de transição para as pessoas cadastradas. Em entrevista à rádio CBN Bahia, ela disse que a proposta é incentivar os beneficiários a ingressar no emprego formal ou abrir seu próprio negócio. “As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada, e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade”, disse Daniella. Após a fala de Daniella, a campanha de Flávio correu para negar qualquer corte no programa.

O Bolsa Família virou um tópico de cabo de guerra entre as campanhas dos presidenciáveis. Após as falas da coordenadora de campanha de Flávio, o coordenador da campanha eleitoral de Lula e senador da República Camilo Santana (PT-CE) criticou a proposta de Flávio, alegando que impactará diretamente os programas sociais. “Isso já mostra, claramente, de onde é que o Flávio Bolsonaro quer cortar os seus R$ 200 bilhões, o tesouraço”, declarou Santana em entrevista para a imprensa.

Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Flávio reiterou que não acabará com o Bolsa Família e acusou a campanha do adversário de espalhar notícias falsas sobre o tema contra ele. Segundo o senador, a medida apresentada por Daniella Marques não visa acabar com o benefício. “É para incentivar você, caso você queira, quando você arrumar um emprego de carteira assinada, você abrir a própria empresa, você continua recebendo o seu Bolsa Família por até 2 anos. E, se acontecer alguma coisa nesse meio tempo, você for demitido, por exemplo, ou a sua empresa não der certo, no mesmo dia você está recebendo o Bolsa Família”, disse o senador.

O benefício

O Bolsa Família é um programa social que, como o próprio nome diz, está atrelado à renda familiar. Para ter acesso ao programa a família precisa estar inscrita no CadÚnico e a renda familiar por pessoa não pode ultrapassar R$ 218.

O cálculo é feito com base no rendimento de todos os membros da casa dividido pelo número de pessoas família. Por exemplo, considerando uma família que tenham o total de um salário-mínimo por mês (atualmente em R$ 1.621), ao menos oito pessoas precisam compor a família cadastrada para ter acesso ao benefício. Além disso, para manter o benefício as famílias precisam cumprir obrigatoriamente alguns requisitos, como todos os familiares com o calendário vacinal completo e frequência escolar mínima de 75% das aulas mensais para crianças de seis a 15 anos.