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Em sabatina, Lula defende redução da maioridade penal para 16 anos

Presidente participou de entrevista na Globo na quinta-feira; nesta sexta-feira, é a vez de Flávio

Por Gabriela Gallo

Lula foi sabatinado por Renata Lo Prete. Hoje, será a vez de Flávio

Ao participar de sabatina no segundo turno entre os candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que tenta a reeleição, entrou na polêmica que acabou adiando a votação da PEC da Segurança. Ele afirmou ser a favor da redução da maioridade penal para 16 no caso de crimes hediondos, na linha do que fora proposto nesta quinta-feira (15) pelo senador Camilo Santana (PT-CE).

Lula, porém, afirmou que tal emenda não cabia na PEC da Segurança, que iria ser votada. Deveria ser, na sua avaliação, tema para discussão posterior. “Mas creio que qualquer brasileiro defenda punição para crime hediondo”, respondeu á jornalista Renata Lo Prete, que conduziu a sabatina.

Faltando pouco mais de uma semana para o segundo turno geral das eleições, em 25 de outubro, os candidatos Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem em suas campanhas eleitorais e participando de entrevistas. Lula foi o primeiro a ser entrevistado na sabatina da TV Globo, na qual citou seus planos de campanha e questionamentos sobre sua gestão. Nesta sexta-feira (16) será a vez de Flávio Bolsonaro. Seguindo o cronograma, está previsto um último debate presidencial entre os candidatos antes do segundo turno no dia 23 de outubro.

Durante a sabatina, Lula admitiu que a relação com o presidente dos EUA Donald Trump começou tensa, mas que, apesar das divergências, os chefes de Estado conseguem manter uma boa relação diplomática, dentro do possível. Questionado sobre os atritos das relações comerciais entre os países, como a aplicação do tarifaço, o petista disse que “embora o país tenha perdido 9% com a relação comercial com os Estados Unidos”, o Brasil “cresceu 20% com a China, 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha e 13% com o Vietnã”.

Sobre segurança pública, Lula voltou a defender que, quando a aprovada a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), será criado o Ministério da Segurança Pública (que irá se separar do Ministério da Justiça). Ele ainda citou o financiamento de 138 presídios em território nacional para reforçar o combate à facções criminosas. Ele ainda reiterou que o foco do governo federal é “asfixiar o crime organizado”, inclusive o topo da escala hierárquica como os financiadores, para “libertar os territórios” tomados pelo crime organizado.

Em relação às investigações sobre as fraudes financeiras do Banco Master, Lula defendeu que todos os envolvidos precisam ser investigados, inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nessa linha, ele ainda voltou a defender que seja feita uma reforma no poder Judiciário. Apesar de ter defendido o trabalho do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, na condução da PF, Lula disse que criticou Andrei quando descobriu que ele participou de uma festa organizada por Vorcaro, em Londres, e que as justificativas de Andrei não foram convincentes e que, caso reeleito, ele pode mudar o diretor-geral da PF, mas não cravou a informação.

Sobre economia, Lula reforçou que está mais interessado na economia na escala micro do que na escala macro, ou seja, mais focado naquilo que na prática possa impactar diretamente a vida da classe trabalhadora e dos pobres, em vez de focar na economia em escala macro, ligada do mercado financeiro, por exemplo. “Eu estou propondo não gastar, não cortar o dinheiro dos pobres”, enfatizou.

Questionado sobre o aumento do preço da energia elétrica, Lula lembrou que grande parte das companhias de energia nos estados foram privatizadas.