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Lula endurece contra STF e tenta se descolar da Corte no segundo turno

Lula afirmou que sua candidatura estava "carregando nas costas" a "promiscuidade" estabelecida na Suprema Corte após as denúncias.

Por Bianca Lobianco

Lula decidiu elevar o tom contra o STF após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu endurecer o discurso sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). A mudança ocorre após a campanha avaliar que a crise de imagem da Corte, agravada pelas suspeitas envolvendo ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, provocou desgaste eleitoral para o petista.

A estratégia representa uma mudança em relação ao primeiro turno. Até a votação de domingo (4), a orientação era evitar ataques mais duros ao Supremo e tratar as controvérsias envolvendo ministros de forma cautelosa. Depois de Lula terminar atrás de Flávio, a campanha passou a defender um posicionamento mais explícito.

Em reunião com aliados na segunda-feira (5), Lula afirmou que sua candidatura estava "carregando nas costas" a "promiscuidade" estabelecida na Suprema Corte após as denúncias. O presidente também classificou Flávio como "a cara do sistema" e tentou reivindicar para si o discurso antissistema.

Aliados de Lula procuraram o presidente do STF, Edson Fachin, para avisar que o petista aumentaria as críticas à Corte. A intenção, de acordo com a reportagem, seria deixar claro que os ataques seriam direcionados à conduta de ministros e não à instituição.

A mudança também busca afastar Lula da imagem do ministro Alexandre de Moraes e das suspeitas surgidas no caso Master. A crise envolvendo o Supremo ganhou espaço na campanha após a divulgação de informações extraídas do celular de Vorcaro e passou a ser explorada pela oposição.

Lula também voltou a defender mudanças estruturais no Judiciário. Entre os pontos discutidos estão a criação de mandato para ministros do Supremo e alterações no modelo de indicação para a Corte. Integrantes da campanha petista defendem que o debate seja incorporado ao discurso do segundo turno.

A pressão sobre o STF cresceu após o primeiro turno. O avanço da direita no Senado fortaleceu propostas de impeachment de ministros e de redução de competências da Corte. Parlamentares do Centrão também passaram a admitir mudanças no Judiciário, enquanto Fachin ampliou o diálogo com representantes do governo e da oposição.

Na terça-feira (6), Fachin recebeu separadamente o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), e a líder do governo Lula no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). Marinho voltou a criticar a atuação do Judiciário no processo eleitoral. O encontro de Teresa tratou de pautas institucionais e legislativas.

A disputa sobre o Supremo tende, assim, a ocupar espaço central no segundo turno. Enquanto Flávio tenta associar Lula a ministros da Corte, o presidente busca se afastar desse vínculo e transformar a reforma do Judiciário em uma bandeira própria da campanha.