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Alcolumbre: fim da 6x1 será votado no Senado na próxima semana

PEC precisa ser aprovada em dois turnos, com quórum qualificado de votação

Por Gabriela Gallo

Oposição reclama do calendário "eleitoreiro" de Alcolumbre

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), declarou que planeja votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina o fim da escala de trabalho na jornada 6x1 (PEC 221/2019) na próxima semana. Em conversa com jornalistas nesta terça-feira (6), o senador declarou que o tema é a única pauta prevista para a semana.

“Meu desejo é cumprir integralmente o rito constitucional. Sem atropelos, sem acelerar nada. Cumprir terça, quarta e quinta as cinco primeiras sessões de discussão da PEC para [a votação] no primeiro turno. E, a partir de sexta-feira [9] organizar novamente uma pauta para, na semana que vem, termos sessões terça, quarta a quinta. E, caso todos nós pudermos concluir as cinco sessões de debate na semana que vem, do ponto de vista regimental, [vamos] colocar para sua deliberação em primeiro turno. Neste momento adequado, cada senador terá o livre arbítrio para votar de acordo com sua convicção”, afirmou Davi, que declarou que “já sabe como irá votar”.

Também nesta terça-feira, o plenário do Senado Federal iniciou a primeira de cinco sessões em plenário para discutir o fim da escala 6x1. A maioria dos senadores presentes na sessão defendeu a atualização das novas regras trabalhistas e implementação de medidas. Contudo, senadores da oposição acusaram o timming da discussão da medida como “eleitoreira”, já que ela está ocorrendo no intervalo entre o primeiro e o segundo turnos eleitorais – especialmente porque o tema é peça-chave para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Do outro lado, senadores governistas negam as acusações e argumentam que o tema é discutido no Congresso Nacional há anos. A PEC seguirá em discussão pelos senadores nas sessões de quarta-feira (7) e quinta-feira (8), todas as sessões começando às 14h, já que este é o único item da pauta desta semana.

Cronograma

O presidente do Senado já havia declarado que não iria pautar o texto para votação no plenário da Casa antes do primeiro turno das eleições gerais, no último domingo (4). Considerando que o plenário do Senado realize três sessões de discussão nesta semana e depois mais duas na próxima, a expectativa é que a PEC seja votada em primeiro turno no dia 15 de outubro, quinta-feira. Se aprovada no primeiro turno de votação, o plenário da Casa realizará mais três sessões de discussões antes de votar do segundo turno da PEC.

Portanto, seguindo o rito interno e considerando que nenhuma sessão seja adiada, a votação em segundo turno da proposta de redução da jornada de trabalho deve ficar para o dia 27 de outubro, logo após o segundo turno eleitoral (25 de outubro).

Aprovada em maio na Câmara dos Deputados, além de determinar ao menos dois dias de descanso para trabalhadores contratados em regime de carteira assinada, a PEC 221/2019 também determina a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial. Um mês antes do primeiro turno eleitoral, em setembro a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado também aprovou o texto, relatado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM). Para ser aprovado, o texto precisa de ao menos 49 votos favoráveis em ambos os turnos de votação.

Considerando que o texto seja aprovado, a PEC determina um período de transição de 14 meses após a promulgação do texto. Dois meses após a data de promulgação, as empresas já precisam implementar os dois dias de descanso para seus funcionários e reduzir a jornada de trabalho para 42 horas semanais. Após doze meses disso, será implementada de fato a jornada de 40 semanais para empregados vinculados à Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).