PF abre apuração sobre suspeita de interferência e financiamento externo nas eleições
Procedimento foi aberto após representação da AGU e busca esclarecer eventual uso de recursos estrangeiros para financiar ações com impacto no processo eleitoral brasileiro
A Polícia Federal abriu um procedimento prévio para investigar suspeitas de interferência e financiamento externo relacionados ao processo eleitoral brasileiro. A apuração começou após uma representação encaminhada pela Advocacia-Geral da União (AGU) e está sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência da PF.
Na prática, a PF ainda está em uma fase anterior à abertura formal de um inquérito. Os investigadores analisam as informações encaminhadas pela AGU para verificar se existem elementos suficientes que justifiquem aprofundar a investigação e quais eventuais crimes poderiam estar envolvidos.
Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apesar de ainda não existir uma portaria formal de instauração de inquérito, já há uma investigação em andamento.
"Já é uma investigação em andamento, mas ainda não foi instaurada a portaria do inquérito policial. Há um procedimento prévio que fazemos que é natural em todos os processos", afirmou Rodrigues neste domingo (4), durante visita ao Centro Integrado de Comando e Controle Nacional.
A iniciativa está relacionada a suspeitas sobre eventual financiamento estrangeiro de grupos e organizações com atuação no Brasil. A AGU pediu a investigação após a divulgação de informações sobre recursos destinados por um programa do governo dos Estados Unidos a uma iniciativa ligada ao debate sobre decisões do Judiciário brasileiro.
O objetivo agora é verificar a origem e o destino desses recursos, quem eventualmente recebeu ou participou das iniciativas financiadas e se houve alguma ação com potencial de interferir de forma irregular no processo eleitoral brasileiro. A existência do procedimento, porém, não significa que uma interferência estrangeira tenha sido comprovada.
A investigação também não deve ser confundida com outro inquérito aberto pela PF após autoridades dos Estados Unidos enviarem informações sobre possíveis riscos a instalações diplomáticas americanas no Brasil. Nesse caso, policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão na sexta-feira (2), um em São Paulo e outro no entorno do Distrito Federal.
Até agora, segundo a PF, não foram encontrados elementos concretos que confirmem a existência de um plano ou ameaça efetiva contra as representações diplomáticas. Os investigadores avaliam, no entanto, se poderá surgir alguma conexão entre as duas apurações.
Também neste domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou que as informações recebidas pela Corte não apontam, até o momento, risco concreto de interferência internacional ou do crime organizado nas eleições.
A declaração do TSE não encerra a investigação conduzida pela Polícia Federal. As duas informações tratam de situações diferentes: enquanto a Corte eleitoral afirma não ter identificado interferência concreta capaz de afetar o pleito, a PF verifica se fatos apontados pela AGU justificam uma investigação criminal mais aprofundada.