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Lula revela cobrança a Moraes sobre caso Master: "Você deve uma explicação à sociedade"

Presidente diz ter questionado ministro sobre silêncio diante das suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro e defende investigação de todos os citados no caso

Por Bianca Lobianco

Lula afirmou em podcast que cobrou explicações de Alexandre de Moraes sobre o caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (1º), que cobrou pessoalmente do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma explicação pública sobre as informações que relacionam o magistrado ao caso Banco Master. A declaração foi dada durante entrevista ao Flow Podcast.

“Você deve uma explicação à sociedade brasileira”, afirmou Lula ao relatar a conversa. Segundo o presidente, Moraes poderia ter esclarecido publicamente que o escritório que manteve contrato com o Master pertence à mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e que ele próprio não exerce a advocacia há anos.

Lula defendeu que as apurações alcancem todos os envolvidos, sem distinção. Durante a entrevista, também mencionou Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques ao dizer que a sociedade precisa saber se as suspeitas divulgadas sobre integrantes da Corte são verdadeiras.

No caso de Toffoli, o ministro deixou a relatoria das investigações sobre o Master em fevereiro, em meio à repercussão de informações sobre sua antiga participação no resort Tayayá, posteriormente vendido a um fundo ligado à rede de Daniel Vorcaro. Já referências a pessoas apontadas como integrantes da “turma do KN”, expressão associada a Nunes Marques nas investigações, apareceram em mensagens apreendidas pela Polícia Federal.

O ministro sustenta que decisões citadas no caso trataram de questões jurídicas gerais e não tiveram o objetivo de beneficiar o banco.

Pedido de vista defendido

Lula também defendeu o pedido de vista de Flávio Dino no julgamento relacionado à possibilidade de investigação de Moraes. Para o presidente, o caso não poderia ser analisado isoladamente diante do surgimento de suspeitas envolvendo outros personagens.

O presidente afirmou ainda que já conversou três vezes com Edson Fachin, presidente do STF, sobre a crise enfrentada pela Corte. Lula voltou a defender mudanças no Judiciário e disse que eventuais irregularidades devem ser investigadas independentemente do cargo ocupado pelo envolvido.

Ao comentar as indicações que fez ao Supremo, Lula rejeitou a ideia de que ministros escolhidos por ele devam qualquer tipo de favor ao governo. Citou Toffoli e lembrou que, quando estava preso, o ministro negou autorização para que ele deixasse a prisão para acompanhar o velório do irmão.

As declarações ocorrem em meio às investigações sobre as relações mantidas por Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao Banco Master com integrantes dos Poderes e agentes públicos. As suspeitas citadas por Lula ainda estão sob apuração e não significam, por si só, comprovação de irregularidades.