Lula defende Jaques Wagner no caso Master e diz que senador quer depor à PF
Presidente afirma que aliado "não tem nada a ver" com irregularidades, mas depoimento marcado para agosto foi adiado a pedido da defesa do parlamentar
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA), nesta quinta-feira (1º), ao comentar as investigações relacionadas ao Banco Master durante entrevista ao Flow Podcast. Lula afirmou que o aliado não tem relação com as irregularidades investigadas e disse que Wagner pretende prestar depoimento para esclarecer o caso.
A Polícia Federal investiga suspeitas de que Wagner tenha recebido vantagens indevidas relacionadas a interesses do Master. O senador nega irregularidades e afirma estar à disposição das autoridades.
Durante a entrevista, Lula disse que Wagner “não tem nada a ver” com o caso e argumentou que operações realizadas durante o período em que o petista governou a Bahia ocorreram antes da fase em que o Banco Master passou a ser controlado por Daniel Vorcaro.
A defesa presidencial, no entanto, ocorre enquanto Wagner é formalmente investigado pela Operação Compliance Zero. A PF apura suspeitas envolvendo um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos que teriam chegado a R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada à família do senador, além de outras vantagens apontadas pelos investigadores.
Outro ponto citado por Lula foi a disposição de Wagner para prestar depoimento. O senador foi intimado pela Polícia Federal em julho e tinha uma oitiva prevista para 7 de agosto, mas o depoimento foi adiado a pedido de sua própria defesa.
Na ocasião, os advogados afirmaram que Wagner pretendia falar, mas solicitaram o adiamento porque ainda não haviam conseguido acesso integral ao conteúdo da investigação. A defesa sustentou que o conhecimento dos autos era necessário para que o parlamentar pudesse prestar esclarecimentos adequadamente.
A PF também investiga se Wagner atuou no Congresso em pautas de interesse do Banco Master. Entre os pontos analisados estão discussões relacionadas ao crédito consignado, ao Fundo Garantidor de Créditos e à tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília.
Wagner deixou a liderança do governo no Senado após ser alvo de busca e apreensão em junho. Na ocasião, afirmou que a decisão de se afastar havia sido tomada em comum acordo com Lula e que sua prioridade seria provar a própria inocência.
Ao defender o aliado no Flow, Lula apresentou sua avaliação sobre as acusações, mas as investigações permanecem em andamento. Caberá à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Judiciário avaliar os elementos reunidos no caso e eventuais responsabilidades.