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Renan Santos entrou, Flávio saiu e Globo cancelou o debate

Decisões judiciais de última hora levaram candidato do PL a resolver não participar e fazer live com aliados; Lula participou de podcast

Por Gabriela Gallo

Cenário montado para o debate que não aconteceu

Faltando menos de uma hora para o debate presidencial da TV Globo, o último previsto para ocorrer antes do primeiro turno das eleições gerais neste domingo (4), a emissora comunicou o cancelamento.

A ação foi motivada por uma série de mudanças provocadas por decisões judiciais tomadas ao longo do dia, que foram alterando o planejamento do debate. Em especial, o cancelamento da participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) horas antes do debate.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicou na véspera que não participaria do debate e, no lugar, foi entrevistado no Flow Podcast. Além de Lula e Flávio, estavam previstos para participar os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

Púlpito

O senador cancelou sua participação no debate devido a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ministra Estela Aranha concedeu uma liminar determinando que não permanecesse o púlpito vazio de Lula durante o debate da Globo e também determinou que os demais candidatos que participassem não fizessem perguntas ao candidato ausente.

Na avaliação da ministra, “a medida tem potencial para criar situação de desequilíbrio entre os participantes, conferindo espaço autônomo para referências a candidato ausente sem observância da dinâmica dialética que caracteriza o instituto do debate eleitoral”.

A medida gerou reação de Flávio, que classificou a decisão como “censura” emitida pelo Tribunal eleitoral. “Não vou compactuar com censura e interferência do Judiciário”, disse o senador da República. Ao invés de participar do debate da Globo, o representante do clã Bolsonaro e do partido Liberal realizou uma live com aliados no canal “TV Celular”, do próprio senador.

Principal adversário político de Lula na corrida pelo Palácio do Planalto, a equipe de campanha do senador planejava utilizar as imagens do púlpito com o nome do petista vazio, tal como direcionar perguntas e acusações contra o candidato. Sem a possibilidade de explorar a imagem da ausência do principal adversário, a equipe de Flávio ficou dividida e ao final Flávio optou por não ir à Globo.

Renan Santos

Outro fator que contribuiu para a desistência do senador ao debate foi a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes em liberar a participação do candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, de participar no debate da Globo no lugar de Lula.

Ao contrário das demais emissoras de televisão que planejaram realizar debate eleitoral, que escolheram os candidatos convidados com base nos índices de popularidade das pesquisas eleitorais, a Globo optou por usar a legislação eleitoral como critério na escolha do convite aos candidatos para a transmissão. E, segundo a Justiça Eleitoral, as emissoras de rádio e televisão são obrigadas a convidar candidatos que sejam de partidos que tenham ao menos cinco parlamentares no Congresso Nacional, o que não é o caso do Missão.

Contudo, as regras da Globo previam que, em caso de desistência, a emissora poderia convidar o candidato mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto, entre aqueles que não tinham participação assegurada pela legislação eleitoral – que era o caso de Renan. E essa regra foi justamente o argumento acatado pelo decano do STF, ao definir que a emissora não poderia definir um critério objetivo sobre as regras do debate e depois ignorá-lo.

Após a decisão do TSE e do STF, Flávio Bolsonaro anunciou que não participaria mais do debate e a emissora cancelou a transmissão e voltou a transmitir o novo capítulo da novela.

Lula no Flow

Em entrevista ao Flow Podcast, o presidente Lula foi questionado sobre diversos tópicos. Dentre o que foi discutido, o chefe de Estado negou que Medida Provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa (“Bets” e cassinos virtuais, conhecido como “jogo do tigrinho”) tenha sido uma medida eleitoreira e, durante a conversa, avaliou que Flávio Bolsonaro não era qualificado para concorrer ao cargo de presidente da República.

Sobre o escândalo das fraudes do Banco Master, Lula reiterou que “é preciso investigar todo mundo”, referindo-se às autoridades citadas na investigação. Questionado se ele tinha influências dentro do STF, Lula negou relações diretas com os ministros da Suprema Corte. Para sustentar seu ponto, ele citou o escândalo do Mensalão, em 2012, época em que, dos onze ministros do Supremo, oito que integravam a Corte foram indicados pelo petista. O presidente ainda defendeu a necessidade de ser feita uma reforma no Poder Judiciário.

Live de Flávio

Na live que realizou pouco após comunicar sua desistência do debate da Globo, Flávio Bolsonaro se reuniu com diversos aliados políticos do campo da direita.

A transmissão com aliados políticos de diferentes regiões do país buscou transmitir apoio e força para o senador.

Repúdio de Caiado

"Repudio, lamento e deploro o que assistimos nesta noite. Não tenho outras palavras para descrever: foi um verdadeiro atentado à democracia", reagiu o candidato do PSD, Ronaldo Caiado.

"O que a Justiça do nosso país – seja por intermédio do Supremo Tribunal Federal, seja pelo Tribunal Superior Eleitoral – fez hoje representa, nada mais, nada menos, que a destruição do processo eleitoral no país. É um flerte perigoso – mais um – com o enfraquecimento das nossas instituições".

"O catalisador desse atentado foi, lamentavelmente, aquele que mais deveria mostrar apreço pelo nosso povo: o atual presidente da República. Luiz Inácio Lula da Silva", completou Caiado, na nota que divulgou.