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Brasil e EUA formarão grupo de trabalho para discutir tarifaço

Medida foi firmada entre representantes comerciais dos países em reunião do G20 de Comércio

Por Gabriela Gallo

Reunião reabriu negociação sobre o tarifaço

Apesar das alfinetadas trocadas na última semana entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump (Republicano), na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), os países retomaram as negociações sobre o tarifaço.

Nesta quarta-feira (30), o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, se reuniu com o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, para tratar do tema. No encontro, eles definiram a criação de um grupo de trabalho específico para tratar das sobretaxas de 25% (que podem chegar a 37,5%, dependendo dos produtos) impostas pelo governo americano a produtos brasileiros.

“Reunião importante”

Em um vídeo divulgado para a imprensa, Márcio Elias Rosa detalhou o que foi tratado no encontro. “Apresentamos novamente nossos argumentos, o quão injusta e indevida são as tarifas que são impostas no Brasil na atualidade e a necessidade de superá-las. Eles assumiram o compromisso de nos encaminhar nas próximas semanas um escopo das discussões daqui pra frente”, informou. “Não foi simplesmente mais uma reunião. Foi uma reunião importante, em que nós reapresentamos argumentos que vínhamos debatendo e eles também apresentaram os seus argumentos, em que tivemos um ponto de convergência”, completou o ministro.

A reunião ocorreu em Milwaukee, Wisconsin (EUA), durante o encontro do G20 de Comércio, que se encerra nesta quinta-feira (1º). O G20 é o grupo com as 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia (UE) e a União Africana.

Segundo os ministros do governo brasileiro, a expectativa é que o governo norte-americano encaminhe nas próximas semanas um documento com uma proposta para definir o escopo das negociações, incluindo questões tarifárias e não tarifárias. A partir do escopo proposto, serão avaliadas as negociações e possibilidades de entendimento entre os dois países.

Em julho, os Estados Unidos implementaram as tarifas a produtos brasileiros onde declararam que a taxação é resultado de uma investigação do USTR contra o Brasil por supostas práticas desleais contra o mercado norte-americano. A medida econômica é baseada na Seção 301 da Lei do Comércio de 1974, que permite que o governo norte-americano investigue e retalie países cujas práticas comerciais sejam consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais aos interesses locais.

Dentre os pontos citados pelos Estados Unidos contra o Brasil estão: o Pix, corrupção, acordos comerciais com outros países, proteção a propriedade intelectual norte-americana (o combate à pirataria), desmatamento ilegal e o acesso ao mercado de etanol. Os Estados Unidos ainda acrescentou o Brasil na lista de 60 países que os Estados Unidos acusam de falhar no combate ao trabalho forçado e determinaram uma taxa extra de 12,5% voltados para itens manufaturados e do agronegócio – ou seja, uma taxação de 37,5% para esses setores. O diplomacia brasileira já se manifestou contra a acusação na falha de combate ao trabalho escravo, classificando as afirmações como inverdades.