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Lula diz não lembrar de uísque ligado a Vorcaro: "Se deu, já bebi"

Presidente confirmou encontro com advogado do ex-banqueiro e disse não saber se recebeu a bebida; Flávio Bolsonaro pediu investigação ao STF

Por Ana Laura Gonzalez

Lula se pronuncia sobre crise no STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou que não se lembra de ter recebido uma garrafa de uísque de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A declaração foi dada no domingo (27), durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band.

Questionado sobre o suposto presente, Lula respondeu que, caso tenha recebido a bebida, já a teria consumido.

“Se ele me deu uísque, já bebi. Eu não fico contando quem me dá uísque. Eu ganho muita coisa, lembranças, sabe? Não sei se deu, mas, se deu, já bebi”, afirmou o presidente.

O episódio veio à tona após a divulgação de mensagens do advogado Walfrido Warde, que representava Vorcaro. Em uma conversa atribuída a Warde, o advogado relatou ao ex-banqueiro um encontro com Lula e afirmou que o presidente havia agradecido pelo uísque.

Lula confirma encontro com advogado

Durante a entrevista, Lula confirmou que recebeu Warde no Palácio do Planalto, mas questionou o conteúdo do relato atribuído ao advogado.

“Você acredita em tudo que um lobista fala?”, perguntou o presidente.

Warde atuou na defesa de Vorcaro até o início de 2026. Segundo a mensagem divulgada, após o encontro com Lula, o advogado teria escrito ao ex-banqueiro que o presidente havia perguntado como ele estava e agradecido novamente pelo uísque.

A Presidência da República nega que Lula tenha recebido presentes de Vorcaro. Além disso, o uísque não aparece na relação oficial de presentes recebidos pelo presidente durante o atual mandato, segundo levantamento obtido pela Folha de S.Paulo por meio da Lei de Acesso à Informação.

Flávio pede investigação no STF

A divulgação das mensagens levou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, a apresentar uma notícia-crime ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido foi protocolado em 23 de setembro e solicita a apuração da relação entre Lula e Vorcaro. Os advogados do senador sustentam que o presidente poderia ter utilizado o cargo para atender a interesses do ex-banqueiro e pedem que sejam investigadas, entre outras hipóteses, suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa.

A alegação consta da peça apresentada pela defesa de Flávio e ainda não representa uma conclusão das autoridades sobre a existência de crime.

A notícia-crime também menciona encontros e mensagens que teriam tratado de interesses de Vorcaro junto ao governo federal. O pedido de investigação foi direcionado a Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso Banco Master no STF.

Caso Master entra na disputa eleitoral

O episódio ocorre em meio à exploração política das investigações sobre o Banco Master durante a campanha presidencial.

Flávio Bolsonaro também aparece no material relacionado ao caso. O senador é investigado no STF em procedimento relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Segundo documentos divulgados, Vorcaro teria destinado recursos para a produção.

A campanha de Flávio, por sua vez, sustenta que as relações entre Lula, Vorcaro e integrantes do governo também precisam ser investigadas. A Presidência nega irregularidades e rejeita a existência de qualquer relação indevida envolvendo o presidente e o ex-banqueiro.

A apuração sobre o Banco Master reúne diferentes frentes envolvendo relações financeiras, contratos, créditos judiciais e contatos de Vorcaro com autoridades e pessoas próximas a integrantes de instituições públicas. A divulgação de documentos e mensagens levou a novos pedidos de investigação e passou a integrar também o debate eleitoral de 2026.

Até o momento, a existência de mensagens sobre um suposto presente não estabelece, por si só, que Lula tenha recebido a bebida ou que tenha cometido qualquer irregularidade. A eventual responsabilização dependeria da apuração dos fatos e da análise das autoridades competentes.

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