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Defesa de Bolsonaro recua no STF e muda comando

Escritório desiste de liminar e deixa revisão criminal de Jair Bolsonaro. Willer Tomaz nega participação de Vorcaro em voo de Flávio Bolsonaro

Por Beatriz Matos

Marcelo Bessa deixa condução da defesa de Bolsonaro

Um pedido apresentado pela manhã, retirado poucas horas depois e, na sequência, a saída de um dos escritórios responsáveis pela defesa. A movimentação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (24) expôs uma mudança na estratégia jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo que tenta rever a condenação de 27 anos e três meses no caso da trama golpista.

O escritório Ávila de Bessa, do advogado Marcelo Bessa, pediu ao ministro Nunes Marques, relator da revisão criminal, a suspensão imediata da execução da pena até o julgamento definitivo da ação. Entre os argumentos apresentados estava o questionamento sobre a competência da Primeira Turma para julgar Bolsonaro. Horas depois, a defesa comunicou a desistência apenas do pedido liminar. A revisão criminal permanece em andamento.

Na sequência, o escritório anunciou que deixaria o caso. Marcelo Bessa afirmou que a decisão decorreu de uma “reavaliação da estratégia da defesa” e que a condução ficará integralmente com os advogados que atuaram durante a ação penal.

“Entendeu-se mais adequado desistir do pedido de liminar, para que os colegas possam avaliar as medidas que pretendem adotar. O escritório Ávila de Bessa não atuará mais no caso”, afirmou.

A mudança não anula, porém, o pedido de revisão já apresentado. Para Tédney Moreira, professor de Direito Penal do Ibmec Brasília, a desistência da liminar mantém, na prática, a situação processual anterior.

“Se o pedido foi retirado antes de qualquer decisão que suspendesse a pena, não há alteração concreta na situação processual de Bolsonaro. A desistência impede que aquele pedido específico produza o efeito pretendido. A revisão criminal, porém, continua tramitando normalmente.”

Paulo Henrique Carvalho Meira Passos, mestre e professor de Direito, também ressalta que a saída do escritório não compromete a validade da ação.

“A revisão criminal pertence ao requerente, e não ao escritório de advocacia que a protocolou. A substituição, renúncia ou revogação do mandato dos advogados não extingue a ação e tampouco invalida os atos processuais regularmente praticados.”

Na prática, a próxima etapa será definida pela equipe que conduziu a defesa de Bolsonaro durante a ação penal. Os advogados poderão reorganizar os argumentos já apresentados e decidir quais teses serão mantidas. Segundo Tédney Moreira, divergências entre profissionais não configuram, por si só, prejuízo à defesa. O problema surgiria apenas se provocassem “contradições processuais, perda de prazos ou prejuízo concreto ao cliente”, afirma o especialista.

Flávio e o voo

No mesmo dia, outra manifestação jurídica envolveu a família Bolsonaro. O advogado Willer Tomaz afirmou que foi ele quem custeou o voo feito por Flávio Bolsonaro e familiares, em janeiro de 2025, entre os Estados Unidos e Brasília, e negou qualquer participação de Daniel Vorcaro na viagem.

Segundo Tomaz, a aeronave pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., dividida em três cotas, uma delas pertencente desde 2023 a uma empresa do advogado. Ele afirma que solicitou o trecho e arcou integralmente com o voo por meio das horas disponíveis em sua participação.

“O voo de janeiro de 2025 não tem — e nunca teve — qualquer relação com Daniel Vorcaro”, afirmou Tomaz. Segundo ele, “Vorcaro não pagou, não cedeu, não autorizou e não participou daquele voo — nem direta, nem indiretamente”.

O advogado afirma ainda que não conhece Vorcaro e que Flávio viajou como seu convidado, “sem custo, contrapartida ou benefício de parte a parte”. Tomaz também diz que não foi consultado sobre a posterior venda de uma das cotas da aeronave à Prime You e que está em litígio com a empresa desde abril deste ano.

Flávio Bolsonaro também se manifestou sobre o episódio. Nas redes sociais, afirmou: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”.

A explicação veio depois de voltar ao debate uma declaração de Flávio, feita meses atrás, de que nunca havia entrado em avião de Vorcaro. A defesa apresentada por Tomaz sustenta que, embora a aeronave tenha posteriormente sido ligada a uma empresa relacionada ao ex-banqueiro, o voo de janeiro de 2025 foi custeado exclusivamente por sua própria cota.