Advogado que estava em jato com Flávio é alvo da PF no caso INSS

Willer Tomaz, amigo do senador, é investigado em apuração sobre suposta lavagem de dinheiro ligada ao senador Weverton Rocha

Por Ana Laura Gonzalez

Ligação de Willer Tomaz com a Operação Sem Desconto está relacionada à investigação sobre o senador Weverton Rocha

O advogado Willer Tomaz, que acompanhou o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um voo entre os Estados Unidos e o Brasil em janeiro de 2025, é alvo de investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas relacionadas a fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A viagem de Flávio, que é candidato à Presidência da República, foi realizada em 19 de janeiro do ano passado. O senador estava acompanhado da mulher, das duas filhas e de Tomaz, que é seu amigo. A aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, era administrada pela Prime Aviation e tinha entre seus cotistas o advogado e uma empresa que teve Daniel Vorcaro como sócio.

Segundo informações divulgadas, Tomaz é um dos três cotistas da aeronave. A estrutura formal de propriedade envolve a Fraction 024, enquanto a Prime You, que teve Vorcaro entre seus sócios até setembro de 2025, também possuía uma participação no avião.

Investigação envolve senador Weverton Rocha

A ligação de Willer Tomaz com a Operação Sem Desconto está relacionada à investigação sobre o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Em agosto, o advogado foi alvo de busca e apreensão durante uma etapa da apuração conduzida pela Polícia Federal.

De acordo com informações atribuídas à investigação, a PF apura se estruturas empresariais, imóveis e movimentações financeiras ligadas a Tomaz teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio ou movimentar recursos relacionados ao parlamentar.

Os investigadores também identificaram repasses superiores a R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado para a conta pessoal de Samya Rocha, mulher de Weverton, em 2024. A PF avalia essas movimentações dentro da apuração sobre possível lavagem de dinheiro.

Uma das linhas investigativas envolve ainda um imóvel que teria sido adquirido por R$ 6 milhões e registrado em nome de uma empresa relacionada a Tomaz. Segundo a apuração, a propriedade seria, na realidade, vinculada ao senador.

A investigação busca esclarecer se empresas, familiares e bens foram utilizados para ocultar a origem ou o destino de recursos.

Advogado nega relação com Vorcaro

Willer Tomaz afirmou que não conhece Daniel Vorcaro e negou ter mantido qualquer negócio com o ex-banqueiro.

Em nota, o advogado também contestou a informação de que seria investigado por desvios relacionados diretamente aos benefícios do INSS. Segundo sua defesa, a apuração envolvendo seu nome trata exclusivamente da propriedade de um imóvel que, na hipótese investigada pela PF, pertenceria a um parlamentar.

Tomaz também declarou que a participação da Prime You na estrutura da aeronave ocorreu sem seu conhecimento ou autorização. Segundo ele, ao tomar conhecimento da operação, em abril de 2026, denunciou o contrato e passou a discutir o caso judicialmente com a empresa.

Jato também foi usado por Alexandre de Moraes

O avião utilizado por Flávio em janeiro de 2025 é o mesmo Legacy 650 que transportou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), meses depois.

A aeronave foi operada pela Prime Aviation, empresa ligada à Prime You. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Vorcaro foi sócio da Prime You entre 2021 e setembro de 2025.

A viagem de Flávio ocorreu antes de a Prime You deixar de ter Vorcaro em seu quadro societário.

Após a divulgação das informações sobre o voo, Flávio afirmou que, na época da viagem, o avião era de Willer Tomaz. O senador também destacou a relação de amizade com o advogado e negou que a viagem represente qualquer irregularidade.

Operação Sem Desconto

Deflagrada em abril de 2025 pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), a Operação Sem Desconto investiga descontos associativos não autorizados realizados sobre aposentadorias e pensões do INSS.

No caso envolvendo Weverton Rocha, a investigação avançou para a análise de possíveis mecanismos de ocultação patrimonial e movimentação de recursos.

A PF passou a examinar a relação entre o senador, familiares e pessoas ligadas a empresas que teriam realizado transferências milionárias. É nesse contexto que o nome de Willer Tomaz aparece na investigação.

As suspeitas ainda estão sob apuração e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados.

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