Flávio confirma viagem em avião ligado a Daniel Vorcaro

Senador viajou dos EUA ao Brasil em janeiro de 2025; meses depois, aeronave foi usada por Alexandre de Moraes

Por Ana Laura Gonzalez

Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, confirmou que utilizou, em janeiro de 2025, uma aeronave administrada por uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro para retornar dos Estados Unidos ao Brasil.

Segundo informações publicadas pela revista Piauí e confirmadas pelo g1, Flávio viajou acompanhado de familiares e do advogado Willer Tomaz. Meses depois, em agosto de 2025, a mesma aeronave foi utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e pela mulher dele, a advogada Viviane Barci.

Flávio confirmou a viagem em uma publicação nas redes sociais. Ao comentar uma postagem sobre o episódio, afirmou que, à época, o avião estava relacionado a Willer Tomaz e fez uma comparação com o uso posterior da aeronave por Moraes.

Viagem ocorreu em janeiro de 2025

O voo de Flávio partiu de Fort Lauderdale, na região de Miami, na Flórida, às 12h15 de 19 de janeiro de 2025. O avião pousou em Brasília às 20h01.

Registros de entrada e saída da alfândega americana indicam que o senador deixou os Estados Unidos naquela data. Ele havia entrado no país em 27 de dezembro de 2024, por Miami, para passar o período de festas com familiares e amigos.

Entre os acompanhantes estava Willer Tomaz, advogado que posteriormente passou a ser citado em investigações da Polícia Federal relacionadas a fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Aeronave era um Legacy 650

O voo foi realizado em um Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR, fabricado em 2012. O modelo tem autonomia de aproximadamente 7,2 mil quilômetros, velocidade de cruzeiro de até 850 km/h e capacidade para transportar até 13 passageiros.

Na época da viagem de Flávio, a aeronave era administrada pela Prime Aviation, empresa apontada como ligada a Daniel Vorcaro.

A gestão do jato estava vinculada a um contrato de dez anos de cessão firmado com a Fraction 024, empresa de propriedade de Marcus Vinícius da Mata, também relacionado ao grupo empresarial de Vorcaro.

Avião também aparece em investigação da PF

A mesma aeronave passou a aparecer posteriormente em documentos relacionados às investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Segundo informações atribuídas à Polícia Federal, o Legacy 650 foi objeto de negociação com o escritório de advocacia Barci de Moraes em maio de 2025, em um contrato de R$ 50 milhões por serviços jurídicos.

O contrato, conforme os documentos citados, foi firmado com a Viking Participações. A empresa não era proprietária direta da aeronave, mas integrava o conglomerado empresarial utilizado por Vorcaro para a administração e a distribuição de ativos.

A PF identificou a Fraction 024 como responsável pela aeronave de prefixo PP-NLR. Outro ativo mencionado no material era um helicóptero EC 155 B1, relacionado à empresa Fraction 053, que estaria em processo de aquisição.

Moraes utilizou a mesma aeronave meses depois

Em agosto de 2025, meses após a viagem de Flávio, a aeronave foi utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes e por Viviane Barci.

A utilização do avião entrou no contexto das investigações e das informações extraídas de mensagens relacionadas a Vorcaro e pessoas próximas ao banqueiro.

A existência dos voos e das relações empresariais envolvendo a aeronave não estabelece, por si só, irregularidade por parte das pessoas que utilizaram o jato. As circunstâncias dos contratos e dos contatos mencionados nos documentos são objeto de apuração pelas autoridades.

Flávio, ao confirmar a viagem, também afirmou que o avião estava associado a Willer Tomaz no período em que fez o trajeto entre os Estados Unidos e o Brasil.