Atlas reforça polarização entre Lula e Flávio

A 10 dias das eleições, Record cancela debate presidencial por ausência dos principais candidatos

Por Gabriela Gallo

Lula e Flávio encontram-se tecnicamente empatados em um eventual segundo turno.

Faltam onze dias para o primeiro turno das eleições gerais, agendada para 4 de outubro. E na reta final das campanhas eleitorais e dos debates presidenciais, a Record comunicou nesta quarta-feira (23) que cancelou o debate previsto para ocorrer neste domingo (27). O cancelamento ocorreu porque os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informaram que não compareceriam.

Os dois principais candidatos na corrida presidencial fizeram o mesmo no primeiro debate presidencial da Band em 23 de agosto, que ficou esvaziado e, dos seis principais candidatos, contou apenas com a presença de Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury.

E o cancelamento do debate se justifica considerando que Lula e Flávio concentram a grande maioria dos votos e, segundo a emissora, o programa “não cumpriria a função de colocar frente a frente as principais propostas em disputa”. Assim como no debate da Band, a ausência dos candidatos reflete uma estratégia das candidaturas de não virarem “alvos” de seus concorrentes, na intenção de evitar perder eleitores que já declararam voto nos candidatos.

Polarização

E a cautela da exposição dos presidenciáveis é maior considerando a polarização do cenário eletiral atual. A Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira, reforçou que a disputa para a Presidência da República segue acirrada entre a reeleição de Lula e Flávio. Segundo a pesquisa, um segundo turno eleitoral entre os principais candidatos ao Palácio do Planalto seria de empate técnico, no qual Lula teria 47,7% dos votos e Flávio 47,4% dos votos.

Por meio de recrutamento digital aleatório, a pesquisa entrevistou 5.015 eleitores em entre os dias 17 de setembro e 22 de setembro. A margem de erro é de apenas um ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Já em um cenário de primeiro turno com todos os candidatos à presidência, o atual presidente sai na frente, mas com uma margem de diferença pequena em relação a Flávio. Segundo o levantamento, caso as eleições ocorressem hoje, o petista teria 45,8% dos votos, Flávio teria 43,4% dos votos, Renan Santos 4,5%, o escritor Augusto Cury 2,1% e os ex-governadores de Goiás e Minas Gerais, Ronaldo Caiado e Romeu Zema (Novo), teriam, respectivamente, 1,3% dos votos e 0,9%.

Portanto, diante de um cenário tão apertado, os principais candidatos à Presidência seguem em suas estratégias para tentar evitar perder eleitores e buscar mais votos válidos de eleitores que, inicialmente, votariam em candidatos da terceira via. Apesar da movimentação dos candidatos ser uma estratégia para evitar ataques de opositores, ela esvazia o debate.