Na ONU, Lula diz que Brasil 'não é quintal de ninguém'

Trump, em contrapartida, diz que pode intervir na América Latina

Por Gabriela Gallo

Lula manda respostas a Trump e fala aos eleitores brasileiros

Tradicionalmente, o presidente do Brasil abre a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). E, faltando menos de duas semanas para as eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não perdeu a oportunidade para transmitir em seu discurso declarações voltadas tanto para os eleitores brasileiros quanto para dar recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante de um temor de que ele possa tentar influir no resultado do pleito brasileiro.

O brasileiro falou sobre combate ao crime organizado, redução das desigualdades, regulamentação das big techs e a necessidade de se discutir alternativas de paz e conciliação entre os diversos conflitos globais.

E no meio de seu discurso, sem citar diretamente o nome do presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump (Republicano), Lula declarou que o Brasil "é muito grande para ser quintal de outro país".

"Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo [Estados Unidos] é inescapável. Sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento", defendeu Lula.

Trump

Após o presidente brasileiro, foi a vez do discurso de Trump. Em resposta ao brasileiro, apesar de também não citar diretamente seu nome, o americano reiterou que fará de tudo para atender aos interesses dos Estados Unidos e, se necessário, poderá usar do poder militar para invadir países da América Latina e do Caribe. "E, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA", afirmou o presidente norte-americano.

Apesar dos chefes de Estado não citarem diretamente os nomes um do outro, tampouco seus países, as declarações foram interpretadas como trocas de provações entre os presidentes. Contudo, na avaliação do analista geopolítico e econômico e sócio da consultoria Segundo Minuto Beny Fard, uma eventual intervenção militar "não está no cardápio, porque não há nada na relação com Washington que justifique esse tipo de ação".