Dino cita Porchat e Chico César durante julgamento no STF
Ministro fez referência a vídeo do comediante sobre a rotina dos jornalistas e a uma música do cantor ao discutir decisões da Corte
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), recorreu ao humor e à música popular brasileira durante o julgamento desta terça-feira (15), que analisa a conduta do ministro Alexandre de Moraes diante das mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em uma conversa com o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, Dino citou um vídeo publicado pelo comediante Fábio Porchat para comentar o ritmo de trabalho enfrentado pelos ministros e pelos jornalistas nos últimos dias.
Dino contou que chegou atrasado ao julgamento por causa da quantidade de decisões e petições que precisou analisar. Na sequência, perguntou a Fachin se havia assistido ao vídeo de Porchat, publicado nas redes sociais no último sábado (12).
"Vossa Excelência viu o vídeo do Fábio Porchat? É um vídeo muito bom porque nós estamos parecidos", disse Dino, ao relacionar a rotina dos ministros à dos jornalistas que acompanham as movimentações do Supremo.
Fachin respondeu que não havia conseguido assistir ao vídeo justamente por causa do volume de trabalho. O presidente da Corte afirmou que estava analisando os ofícios recebidos nos últimos dias.
Porchat brincou com ritmo das notícias sobre o STF
No vídeo mencionado por Dino, Fábio Porchat aparece de pijama, deitado na cama, e interpreta um jornalista que pede uma pausa na divulgação de novas informações durante a noite.
A brincadeira faz referência à sequência de acontecimentos envolvendo o STF e o caso Daniel Vorcaro, que tem provocado novos desdobramentos praticamente todos os dias.
No conteúdo, o humorista ironiza a divulgação de decisões e informações em horários considerados fora do expediente e pede uma espécie de trégua diante da quantidade de novidades que precisam ser acompanhadas pelas redações.
A publicação repercutiu entre jornalistas que acompanham o Supremo e acabou chegando ao plenário durante o julgamento.
Dino também citou Chico César
Em outro momento da sessão, Flávio Dino recorreu a uma referência musical ao criticar uma decisão tomada por Fachin.
O ministro questionava a decisão do presidente do STF de assumir a relatoria de processos que anteriormente estavam sob responsabilidade de outros integrantes da Corte.
Ao argumentar que pessoas bem-intencionadas também podem cometer erros, Dino citou uma música de Chico César.
"As pessoas bem-intencionadas também erram. Há uma música famosa de Chico César sobre isso", afirmou.
Dino não informou qual música estava mencionando. A referência, porém, remete à canção "Deus Me Proteja", conhecida pela reflexão sobre a possibilidade de erros e contradições humanas.
Referência musical ganha espaço no julgamento
A música de Chico César aborda justamente a necessidade de proteção contra diferentes formas de maldade e contra os próprios erros.
A citação foi feita por Dino no contexto de uma divergência sobre a condução dos processos pelo presidente do Supremo.
O episódio deu ao julgamento um tom incomum, com referências à cultura popular em meio a uma sessão que trata de uma das questões mais delicadas envolvendo a Corte: a análise do relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
A sessão desta terça-feira (15) ocorre em meio à discussão sobre a validade do relatório da PF e sobre a possibilidade de abertura de uma investigação relacionada à conduta de Moraes.