Flávio diz não temer exposição do caso Master e volta a defender relação com Vorcaro
Candidato afirmou em comício no Rio que financiamento de "Dark Horse" envolveu recursos privados e direcionou ataques a Lula e Alexandre de Moraes
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste sábado (12) que não teme a divulgação de informações das investigações sobre o Banco Master e voltou a defender que sua relação com Daniel Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horse" ocorreu exclusivamente no âmbito privado.
A declaração foi feita durante um comício em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, um dia depois de novos documentos das investigações sobre o Master se tornarem públicos.
Flávio disse esperar "impacto zero" das revelações sobre sua campanha presidencial e sustentou novamente que não houve utilização de recursos públicos no financiamento da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
A versão apresentada pelo candidato ocorre em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal. Flávio foi formalmente incluído em um inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes relacionados aos recursos destinados a "Dark Horse".
Documentos da PF apontam Flávio como "interlocutor direto" de Vorcaro nas negociações. Segundo os investigadores, foram identificadas conversas sobre pagamentos, reuniões e acompanhamento da produção. A negociação previa até US$ 24 milhões para o projeto, valor equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões na época das tratativas.
Parte desse montante chegou a ser transferida para os Estados Unidos. A investigação tenta determinar a origem e o destino final dos recursos e esclarecer se uma parcela do dinheiro também foi utilizada para despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior. Flávio nega irregularidades e sustenta que a captação para o filme foi uma negociação privada.
Além dessa frente, outra investigação apura se recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mário Frias (PL-SP) passaram por entidades ou empresas relacionadas à produção de "Dark Horse". Até o momento, a existência das investigações não comprova que dinheiro público tenha efetivamente financiado o filme.
Ataques a Moraes e Lula
Durante o ato em Cabo Frio, Flávio direcionou parte do discurso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes. Ao lado do candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas, puxou um coro contra Lula, Moraes e o prefeito do Rio, Eduardo Paes.
O candidato também procurou associar politicamente Lula a Moraes e criticou a atuação do ministro no Supremo. Flávio não dirigiu ataques a André Mendonça, responsável pelo inquérito em que ele aparece como investigado no caso "Dark Horse".
No discurso, o senador voltou a apresentar propostas de sua campanha, entre elas redução da maioridade penal e enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas. Medidas semelhantes já constam de propostas apresentadas anteriormente pela candidatura.
Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e personagem central das investigações que ficaram conhecidas como caso das "rachadinhas", também esteve no evento. Ele permaneceu em uma área lateral próxima ao palco. Atualmente, Queiroz ocupa cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema, também na Região dos Lagos.
O evento abriu uma série de compromissos de Flávio no estado neste sábado. A agenda prevê ainda passagens por Macaé, Campos dos Goytacazes e Itaperuna.