Mendonça abriu inquérito contra Flávio Bolsonaro por financiamento de "Dark Horse"
Investigação apura suspeitas relacionadas aos repasses do Banco Master para cinebiografia de Jair Bolsonaro e continua sob sigilo no STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para investigar a participação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no financiamento de "Dark Horse", cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi aberta em julho, mas sua existência veio a público após a retirada do sigilo de parte dos procedimentos relacionados ao Banco Master.
A apuração sob relatoria de Mendonça investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento da produção. Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, também são investigados nesse procedimento.
O inquérito foi instaurado a pedido da Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O foco está nos recursos destinados ao filme pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e no caminho percorrido pelo dinheiro até o exterior.
A investigação ganhou força após a revelação de mensagens e áudios mostrando Flávio Bolsonaro solicitando recursos a Vorcaro para financiar o projeto sobre o pai. O senador reconheceu que buscou o investimento, mas nega irregularidades e sustenta que atuou apenas na captação de patrocínio privado para a produção.
Documentos encontrados no celular de Vorcaro indicaram que as negociações previam um financiamento de até US$ 24 milhões. Segundo informações já reveladas pelas investigações, pouco mais de US$ 12 milhões foram efetivamente repassados pelo ex-banqueiro. Parte dos recursos passou pelo Havengate Development Fund, sediado no Texas, nos Estados Unidos.
A Polícia Federal considera Flávio uma figura ativa nas tratativas com Vorcaro. Mensagens analisadas pelos investigadores registram cobranças feitas pelo senador ao ex-banqueiro relacionadas aos pagamentos previstos para o projeto. A existência desses contatos não representa, por si só, comprovação dos crimes investigados.
O caso permanece sob sigilo mesmo depois de Mendonça tornar públicos 15 procedimentos relacionados às investigações do Banco Master na noite de quinta-feira (10). O ministro preservou o segredo de investigações que envolvem diligências consideradas sensíveis ou ainda em andamento.
Duas investigações sobre "Dark Horse"
A investigação relatada por Mendonça é diferente da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira. Essa segunda frente foi autorizada pelo ministro Flávio Dino e apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
Na operação autorizada por Dino, Mário Frias e a produtora Karina Gama estão entre os alvos. A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal e investiga suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.
Os investigadores suspeitam que R$ 750 mil provenientes de recursos públicos tenham chegado à produtora de "Dark Horse" após passar por empresas ligadas a entidades beneficiadas por emendas parlamentares. A investigação apura se parte desses recursos foi desviada para financiar a cinebiografia.
Flávio Bolsonaro não é investigado nessa operação específica autorizada por Dino. A investigação contra o senador ocorre no inquérito separado relatado por Mendonça, relacionado aos recursos do Banco Master.
Apesar da abertura parcial dos processos do Master, portanto, o núcleo que investiga Flávio Bolsonaro e o financiamento de "Dark Horse" continua protegido por sigilo enquanto a Polícia Federal realiza diligências.