Tentando distância do Master, Lula pede "quebra completa" de sigilos

Com crise interna do STF, presidente é orientado a se distanciar de Moraes

Por Gabriela Gallo

Lula: difícil equilíbrio para evitar que crise resvale nele

Em meio à crise do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo suposto envolvimento de ministros com as fraudes financeiras do Banco Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta se desvincular do caso. Nesta quarta-feira (9), o presidente emitiu uma nota cobrando a quebra de sigilo das investigações envolvendo o Master.

“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, escreveu Lula.

A crise interna no STF começou quando o ministro-relator do caso Master no Supremo, André Mendonça, retirou parcialmente o sigilo de relatórios da Polícia Federal (PF) da Operação Compliance Zero – que apura fraudes financeiras bilionárias, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro referentes ao escândalo do Banco Master, deflagrada inicialmente em novembro de 2025 com a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master. A quebra desses sigilos revelou dados dos celulares de Vorcaro que envolviam seu colega de STF Alexandre de Moraes e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

Até o momento, foram registradas ao menos 52 mensagens em que Vorcaro cita Alexandre de Moraes e que demonstram proximidade entre o banqueiro e o ministro. Moraes, por exemplo, aparece como último revisor do contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. O ministro nega qualquer envolvimento no caso.

Informações posteriores, porém, registraram também um encontro entre Vorcaro e o próprio André Mendonça. O ministro confirmou que se encontrou com o banqueiro antes dele ser preso, mas disse que ambos não conversaram sobre o Master.

Desgaste

Diante do desgaste no Poder Judiciário e a proximidade das eleições gerais em outubro deste ano, o presidente Lula vem sendo orientado por aliados a separar sua imagem das fraudes do Banco Master – apesar de o nome dele não ter aparecido nos relatórios da PF, até o momento. Nos bastidores, Lula foi orientado a não causar desgastes com o ministro André Mendonça, de forma que isso não gere associações do presidente com Alexandre de Moraes. Além disso, para além de se posicionar contra os envolvidos no Banco Master como ele fez na nota publicada nesta quarta-feira, ele também foi aconselhado a não se aproximar de Moraes.

Mirando em sua campanha eleitoral, o petista também restringiu a equipe de sua campanha eleitoral. A decisão veio após problemas internos, como vazamentos de informações de estratégias de campanha e a falta na distribuição de materiais em bases eleitorais. Lula optou por reduzir a equipe, concentrando-a nos ministros da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, e da Secretaria-Geral da Presidência Guilherme Boulos, além do presidente do PT, Edinho Silva, e Paulo Okamotto, antigo aliado do chefe de Estado.