Mendonça homologa delação sobre verba de Master para "Dark Horse"
Ministro aceitou acordo da PGR firmado com o empresário Antonio Carlos Freixo Jr, operador de Vorcaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça homologou, nesta quarta-feira (9), o pedido de delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, sobre os investimentos do Banco Master para o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O empresário fechou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de outubro. Na terça-feira (8) ele e seus advogados de defesa se reuniram com um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça para avaliar o acordo de delação fechado com a PGR – que foi acatado pelo magistrado.
“Para que a delação premiada se consuma, será essencial que a Polícia Federal [PF] receba provas documentais ou testemunhais que contribuam positivamente para as investigações. Em caso negativo ou caso se comprove ocultação de informações ou qualquer falta de veracidade, a delação é cancelada. Do contrário, em se confirmando os benefícios da colaboração, então, se minora a pena em eventual condenação ao delator”, detalhou o advogado criminalista Antonio Gonçalves para o Correio da Manhã.
Mediador
“Mineiro” é dono da empresa Entre Investimentos e Participações. Ele é apontado como o responsável por realizar os pagamentos do Master para o filme através do fundo de investimento dos Estados Unidos “Havengate Development Fund”, que administrava o dinheiro para “Dark Horse” e encaminhava os recursos para a empresa Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. No gabinete de Mendonça, Freixo Junior confirmou que realizou sete repasses para o fundo americano a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Master, totalizando US$ 12,3 milhões (considerando a cotação do dólar de 2025, o valor varia entre R$ 65 milhões e R$ 69 milhões) para o filme.
O financiamento para o longa-metragem biográfico de Jair Bolsonaro foi realizado por Vorcaro a pedido do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O banqueiro se comprometeu a pagar US$ 24 milhões (o equivalente a R$ 134 milhões na época) e, efetivamente, transferiu os US$ 12,3 milhões.
O fundo Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado e amigo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os Estados Unidos (EUA) em março de 2025. Com isso, a suspeita da Polícia Federal é que os valores pagos por Vorcaro não foram integralmente destinados para o longa-metragem, mas também poderiam ter sido destinados para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro em solo americano. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo, nega as acusações.
Para além dos aportes destinados para o custeio do filme, Antonio Carlos também é apontado como o responsável por “gerar” dinheiro em espécie a pedido de Daniel Vorcaro e seus aliados para outras despesas, como pagamento de propina. As notas de dinheiro vivo, que são muito mais trabalhosas de rastrear e podem ser escondidas de órgãos reguladores, eram armazenadas e escondidas em malas. Ele alega que não tinha conhecimento da finalidade dos repasses.