Mendonça deve homologar pedido de delação sobre Dark Horse
"Mineiro" era responsável por repasses do Master para fundo administrado por amigo de Eduardo Bolsonaro
O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, e seus advogados de defesa compareceram nesta terça-feira (8) no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, ministro-relator do caso Banco Master na Suprema Corte, para realizar uma delação premiada sobre os repasses do dono do Master Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, longa-metragem autobiográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Eles conversaram com um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça e, na delação, “Mineiro” enfatizou que não foi coagido a realizar a primeira colaboração premiada, portanto, o depoimento foi voluntário. A voluntariedade é requisito para que uma delação seja homologada pelo magistrado responsável.
Primeira etapa
A reunião de terça-feira não foi a colaboração premiada em si, mas foi a primeira etapa no processo da delação, que é direcionado para a análise de aspectos do acordo, como a voluntariedade, a regularidade e a legalidade da negociação. Uma vez comprovados esses requisitos, é autorizada a homologação pelo responsável pelo caso. Ainda não há prazo para Mendonça homologar o pedido de delação premiada.
Freixo Júnior é dono da empresa Entre Investimentos e Participações. Ele é apontado como o responsável por realizar os pagamentos para o filme através do fundo de investimento dos Estados Unidos “Havengate Development Fund”, que administrava o dinheiro para “Dark Horse” e encaminhava os recursos para a empresa Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado e amigo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os Estados Unidos (EUA) em março de 2025. Diante disso, a suspeita da Polícia Federal (PF) é que os valores pagos por Vorcaro para o filme não foram integralmente destinados para o longa-metragem, mas também poderiam ter sido destinados para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro em solo americano. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo, nega as acusações.
Sete repasses
Na conversa com o juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, Antonio Carlos declarou que, em 2025, realizou sete repasses financeiros ao Havengate para financiar o filme, todas feitas a pedido de Daniel Vorcaro. Essas transferências totalizaram US$ 12,3 milhões (o equivalente a R$ 65 milhões, na cotação da época). As informações são do jornal O Globo.
“Mineiro” também confirmou que era responsável por “gerar” dinheiro em espécie para o pagamento de propinas. O dinheiro era entregue em malas e, entre 2020 e 2025, ele movimentou R$ 1,3 bilhão para os esquemas do Banco Master a pedido de Vorcaro e seus aliados. Pelo serviço, ele recebia uma comissão de 1%.
Para comprovar suas declarações, ele apresentou recibos das compras das malas para guardar o dinheiro, contratos de empréstimo simulados com a Entre Investimentos para justificar os pagamentos, e registros de transferências bancárias com operadores.