Mendonça deve homologar pedido de delação sobre Dark Horse

"Mineiro" era responsável por repasses do Master para fundo administrado por amigo de Eduardo Bolsonaro

Por Gabriela Gallo

Mineiro diz ter feito sete repasses de recursos do Master para o fundo Havengate, nos Estados Unidos

O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, e seus advogados de defesa compareceram nesta terça-feira (8) no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, ministro-relator do caso Banco Master na Suprema Corte, para realizar uma delação premiada sobre os repasses do dono do Master Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, longa-metragem autobiográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Eles conversaram com um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça e, na delação, “Mineiro” enfatizou que não foi coagido a realizar a primeira colaboração premiada, portanto, o depoimento foi voluntário. A voluntariedade é requisito para que uma delação seja homologada pelo magistrado responsável.

Primeira etapa

A reunião de terça-feira não foi a colaboração premiada em si, mas foi a primeira etapa no processo da delação, que é direcionado para a análise de aspectos do acordo, como a voluntariedade, a regularidade e a legalidade da negociação. Uma vez comprovados esses requisitos, é autorizada a homologação pelo responsável pelo caso. Ainda não há prazo para Mendonça homologar o pedido de delação premiada.

Freixo Júnior é dono da empresa Entre Investimentos e Participações. Ele é apontado como o responsável por realizar os pagamentos para o filme através do fundo de investimento dos Estados Unidos “Havengate Development Fund”, que administrava o dinheiro para “Dark Horse” e encaminhava os recursos para a empresa Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.

O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado e amigo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os Estados Unidos (EUA) em março de 2025. Diante disso, a suspeita da Polícia Federal (PF) é que os valores pagos por Vorcaro para o filme não foram integralmente destinados para o longa-metragem, mas também poderiam ter sido destinados para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro em solo americano. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo, nega as acusações.

Sete repasses

Na conversa com o juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, Antonio Carlos declarou que, em 2025, realizou sete repasses financeiros ao Havengate para financiar o filme, todas feitas a pedido de Daniel Vorcaro. Essas transferências totalizaram US$ 12,3 milhões (o equivalente a R$ 65 milhões, na cotação da época). As informações são do jornal O Globo.

“Mineiro” também confirmou que era responsável por “gerar” dinheiro em espécie para o pagamento de propinas. O dinheiro era entregue em malas e, entre 2020 e 2025, ele movimentou R$ 1,3 bilhão para os esquemas do Banco Master a pedido de Vorcaro e seus aliados. Pelo serviço, ele recebia uma comissão de 1%.

Para comprovar suas declarações, ele apresentou recibos das compras das malas para guardar o dinheiro, contratos de empréstimo simulados com a Entre Investimentos para justificar os pagamentos, e registros de transferências bancárias com operadores.