Gabinete de Mendonça deverá ouvirá delação sobre Dark Horse

Conhecido como "Mineiro", empresário era responsável por transferir repasses do Master para o filme

Por Gabriela Gallo

Dark Horse recebeu R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apontado como o responsável por repassar recursos do Banco Master para o filme “Dark Horse”, o longa-metragem biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi encaminhado para o ministro-relator do caso Master no STF André Mendonça. E a expectativa é que “Mineiro” deponha na próxima terça-feira (8) para um juiz que compõe o gabinete de André Mendonça no Supremo.

Antônio Carlos Júnior é dono da empresa Entre Investimentos e Participações, que faz parte do grupo Entrepay – liquidado em março deste ano pelo Banco Central (BC). Ele é apontado como o responsável por realizar os pagamentos para o filme através do fundo de investimento dos Estados Unidos Havengate Development Fund. Ele ainda é investigado por buscar moeda em espécie para viabilizar que Vorcaro realizasse pagamentos em dinheiro vivo. Como é de difícil rastreamento pelas autoridades fiscais, o pagamento em dinheiro em espécie tende a ser realizado para atividades irregulares.

O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os Estados Unidos (EUA) em março de 2025.

Diante disso, a Polícia Federal (PF) suspeita que os valores pagos por Daniel Vorcaro para o filme não foram integralmente destinados para o longa-metragem biográfico do ex-chefe de Estado brasileiro, mas também poderiam ter sido destinados para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro em solo americano. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão mais velho de Eduardo, negou as acusações e reiterou que os recursos do Master foram exclusivamente para financiar o filme.

Vale destacar que a PGR também aceitou o pedido de delação premiada com o fundador da gestora Reag Investimentos, João Carlos Mansur. O pedido também foi encaminhado ao STF e aguarda resposta da Corte. Tanto a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior quando a de Mansur foram aceitas antes do pedido de colaboração premiada vinda do próprio Daniel Vorcaro, que já tentou fechar o acordo com a PGR três vezes, todas sem sucesso.

Transferências

Em acordo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, se comprometeu a investir US$ 24 milhões (o equivalente a R$ 134 milhões) para o filme. Após denúncia do The Intercept divulgada sobre trocas de mensagens entre Flávio e Vorcaro, foi registrado que o banqueiro chegou a transferir US$ 10,4 milhões (o equivalente a R$ 61 milhões na época) para a obra cinematográfica. Esses valores foram transferidos em seis repasses: dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão.

Contudo, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revela que, após Flávio cobrar o restante do valor acordado para Vorcaro, ele transferiu, em setembro de 2025, mais US$ 1,6 milhão para o filme. A informação foi divulgada pela Revista Piauí na terça-feira (1º). Diante disso, o montante do valor pago pelo banqueiro para “Dark Horse” totalizou, até a atual conjuntura, ao menos US$ 12 milhões (um total de R$ 65 milhões considerando a cotação da época).