Fachin levará caso Moraes-Vorcaro ao plenário do STF após revelações da PF
Presidente da Corte definirá a data da sessão que analisará mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, além dos novos elementos encontrados pela Polícia Federal no celular do dono do Banco Master
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, levará ao plenário da Corte o caso envolvendo as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A análise ocorrerá após André Mendonça determinar que os novos elementos encontrados pela Polícia Federal sejam submetidos ao colegiado.
Fachin ficará responsável por definir a data da sessão. Mendonça defendeu que a discussão seja realizada presencialmente, de forma pública e transparente, e afirmou que o plenário é a "instância soberana" para analisar os elementos apresentados pela PF.
A intenção de Mendonça é que o caso seja discutido já na próxima semana. O ministro conversou com Fachin antes mesmo de tornar público o relatório da Polícia Federal e defendeu que os 10 integrantes do Supremo se posicionem sobre o material.
O principal ponto que deverá chegar ao plenário é a possibilidade de abertura de uma investigação formal envolvendo Moraes. O relatório da PF aponta 187 interações entre o ministro e Vorcaro, além de evidências de pelo menos seis encontros entre os dois. As informações foram encontradas durante a análise do celular de Vorcaro, apreendido nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Entre as mensagens está uma conversa ocorrida dois dias antes da prisão do banqueiro. Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". No dia seguinte, o banqueiro voltou a questionar sobre a possibilidade de uma operação: "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?".
As respostas atribuídas a Moraes não puderam ser recuperadas pela perícia porque teriam sido enviadas por meio do recurso de visualização única do WhatsApp. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para deixar o país em um jato particular.
PGR pediu anulação
A chegada do caso ao plenário ocorre apesar da manifestação da Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral Paulo Gonet defendeu a nulidade da apuração relacionada a Moraes e sustentou que houve aprofundamento irregular da investigação.
Para Gonet, diligências direcionadas a um integrante do Supremo dependeriam de autorização prévia da própria Corte. Mendonça adotou entendimento diferente. No despacho em que retirou o sigilo do relatório, afirmou que, independentemente da posição da PGR, o "caminho inevitável" seria levar os novos elementos ao plenário.
A Polícia Federal, por sua vez, afirma que o relatório foi produzido a partir da análise de materiais já apreendidos na investigação sobre Vorcaro.
Pedidos envolvendo Gonet e chefe da PF
As mensagens também mostram Vorcaro buscando ajuda diante do avanço das investigações. Segundo o material analisado pela Polícia Federal, o banqueiro pediu que Moraes atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao próprio procurador-geral Paulo Gonet para tentar conter o avanço das apurações envolvendo o Banco Master.
O relatório reúne ainda registros de encontros entre Vorcaro e Moraes, além de mensagens relacionadas aos contratos milionários mantidos pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, com o Banco Master e outra empresa ligada ao banqueiro. Moraes ainda não se manifestou sobre o conteúdo das novas conversas divulgadas.
Com a análise pelo plenário, a crise envolvendo o caso Master passa a atingir diretamente o colegiado do Supremo. Caberá aos ministros avaliar os efeitos jurídicos dos elementos apresentados pela Polícia Federal e definir se há base para o prosseguimento de uma investigação envolvendo Moraes.