Taxa das blusinhas e sucessão no TCU movimentam Congresso

Comissão mista tenta destravar medida provisória antes do prazo final, enquanto saída de Bruno Dantas abre caminho para Rodrigo Pacheco

Por Beatriz Matos

Lopes propõe mecanismo que acompanhe impacto econômico da medida

A última semana de votações no Congresso antes das eleições começa com duas articulações correndo em paralelo. De um lado, o governo tenta transformar em lei o fim da chamada taxa das blusinhas antes que a medida provisória perca a validade. Do outro, a saída antecipada de Bruno Dantas do Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma cadeira cobiçada e colocou o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) no centro das negociações.

Na primeira frente, a tentativa de avançar com a MP ficou para esta terça-feira (1º). A relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), deve apresentar seu parecer à comissão mista, que também poderá apreciar o texto no mesmo dia.

A expectativa é que Leila mantenha a essência da medida provisória, que permite zerar o imposto federal de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A principal novidade negociada nas últimas horas é a inclusão de um mecanismo para acompanhar os efeitos da mudança sobre a economia brasileira.

A proposta prevê uma primeira avaliação dos impactos após três meses e, posteriormente, revisões a cada seis meses. O objetivo é medir efeitos sobre áreas como emprego, produção e competitividade da indústria e do comércio. Se forem identificadas consequências relevantes, o Ministério da Fazenda deverá avaliar medidas de mitigação.

O presidente da comissão mista, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou que o dispositivo busca responder às preocupações apresentadas pelo setor produtivo.

“É um critério de transparência, de avaliação e de monitoramento. Porque o setor industrial está falando que é muito prejudicial à indústria nacional. Então, criamos esse dispositivo”, disse.

A etapa na comissão é apenas o primeiro obstáculo de uma corrida contra o calendário. Depois do colegiado, a MP ainda precisa ser aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado. O texto perde validade em 8 de setembro. Caso a tramitação não seja concluída, deixa de valer a autorização que permite zerar a alíquota federal sobre as compras de baixo valor. O ICMS cobrado pelos estados não é atingido pela medida.

Bruno Dantas

Enquanto a comissão tenta destravar a MP, outra movimentação começou a ganhar forma no Senado. Bruno Dantas formalizou nesta segunda-feira (31) a renúncia ao cargo de ministro do TCU, decisão que terá efeito a partir de 9 de setembro.

A saída é incomum pelo momento da carreira. Aos 48 anos, Dantas poderia permanecer no tribunal até os 75, idade da aposentadoria compulsória. No comunicado em que anunciou a decisão, ele afirmou que a rotatividade nos altos cargos é uma “virtude” e disse encerrar o ciclo de forma voluntária.

A cadeira deixada por ele pertence à cota de indicações do Senado. O TCU já comunicou oficialmente a Casa sobre a futura vacância, abrindo espaço para que a escolha do sucessor comece a ser encaminhada.

Nos bastidores, o nome praticamente consolidado na articulação é o de Rodrigo Pacheco. Aliado do senador mineiro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pretende aproveitar o esforço concentrado para tentar avançar com a indicação ainda nesta semana.

A possibilidade é de que o processo seja analisado já na quarta-feira (2), caso haja quórum. Pelo rito, a indicação precisa passar por sabatina em comissão e por votação secreta no plenário.

Pacheco encerra neste ano seu primeiro mandato no Senado e não disputa a reeleição. Depois de desistir da candidatura ao governo de Minas Gerais e sinalizar que poderia deixar a vida pública, a vaga no TCU passou a oferecer um novo destino para o ex-presidente da Casa.

Em uma semana originalmente marcada pela tentativa de concluir votações antes da campanha eleitoral ocupar de vez a agenda dos parlamentares, o Congresso também passou a administrar uma sucessão de peso em um dos principais órgãos de controle do país.