WhatsApp cria novas ferramentas para acabar com golpes

Plataforma agora permite a configuração de várias senhas e identificação de chamadas desconhecidas

Por Beatriz Cicci

Ferramenta traz dicas, prazos e orientações

“Alguém te liga e fala: ‘Eu sou da Amazon ou do Mercado Livre, eu tenho uma entrega para você. Para eu poder liberar aqui, eu preciso de um código específico que vai cair no seu celular’. Só que esse código não é um código do Mercado Livre, é um código de autenticação de dois fatores da Meta que dá acesso à pessoa ao seu WhatsApp”, detalha o engenheiro e ex-funcionário da Meta, Eduardo Trunci.

Este é um dos golpes mais comuns da plataforma: o chamado “roubo de WhatsApp”, que, quando bem-sucedido, permite ao infrator acesso aos contatos e às conversas da vítima para que ele possa se passar por ela. Porém, não é o único. Só em 2025, foram 2,3 milhões de ocorrências, uma média de quatro golpes por minuto, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Chaves de acesso

Para reduzir esses tipos de crime, o WhatsApp anunciou novas ferramentas de segurança para impedir golpes e invasões de conta. As novidades incluem o cadastro de mais de uma chave de acesso (ou passkeys), reforço na verificação em duas etapas e informações adicionais sobre chamadas de números desconhecidos.

A possibilidade de cadastrar mais de uma chave de acesso permite que os usuários acessem as suas contas através do reconhecimento facial, em vez de senhas. Trunci explica que isso oferece uma camada a mais de proteção.

“Se alguém pegar o seu celular, ninguém consegue [acessar]. Antes, com a senha, eles conseguiriam. Hoje, nem com a senha é possível, porque vai ter que ser facial ou digital”, esclarece. A plataforma antes permitia a configuração de apenas uma passkey. Agora, os usuários podem cadastrar várias, seja por reconhecimento facial, impressão digital ou ambos.

Com os novos recursos, as senhas deixam de ser limitadas a seis dígitos e ainda podem ser alfanuméricas, combinando letras e números. Para Trunci, a identificação de números desconhecidos também é um grande avanço na prevenção de golpes virtuais. Ao receber uma chamada não identificada, os usuários terão informações adicionais – se o chamador está em algum grupo em comum, de qual país vem a ligação e se o perfil é verificado. De acordo com o especialista, perfis de bancos e instituições públicas receberão, assim, o selo de verificação.

Recomendações

Para reduzir a incidência desses golpes, o especialista orienta a ativação tanto da chave de acesso quanto da verificação em duas etapas. Além disso, recomenda-se o uso de senhas fortes, com combinações de letras, números e símbolos, para dificultar o acesso de hackers às contas.

Trunci também recomenda que as vítimas de golpes denunciem os casos imediatamente, como forma de impedir que o mesmo infrator continue atuando. Nesses casos, o primeiro passo é acionar o suporte da Meta. “Do mesmo jeito que a pessoa tirou o seu número do seu telefone, colocando o dela, você pode fazer o oposto. E, como você é dono do chip, você é dono da mensagem, o código ainda vai chegar para você. Então, para mim, uma das coisas importantes também é isso: conseguir puxar de volta a conta para você, e não esperar”, afirma.