Lula e Flávio trocam ataques na estreia do horário eleitoral no rádio

Caiado concentra discurso na segurança pública e Augusto Cury tenta se apresentar como alternativa à polarização

Por Ana Laura Gonzalez

Lula e Flávio Bolsonaro

As campanhas dos candidatos à Presidência da República estrearam neste sábado (29) o horário eleitoral gratuito no rádio. Na primeira rodada de propaganda, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que concentram os maiores tempos de exposição, direcionaram parte dos programas para críticas mútuas.

Ronaldo Caiado (PSD) priorizou a segurança pública e aproveitou o espaço para atacar o governo petista. Já Augusto Cury (Avante), que tem o menor tempo entre os candidatos apresentados neste sábado, adotou um discurso contrário à polarização política e defendeu uma mudança na forma de fazer política no país.

A propaganda presidencial ocupa 12 minutos e 30 segundos em cada bloco de rádio e televisão. As inserções dos candidatos ao Executivo e ao Legislativo serão exibidas às terças, quintas e sábados.

Lula aposta em feitos do governo e ataca Flávio

Candidato à reeleição, Lula teve 5 minutos e 32 segundos de propaganda. A campanha montou uma espécie de programa radiofônico, com mediadores apresentando resultados que atribuem à atual gestão federal.

Entre os temas citados estavam o programa Pé-de-Meia, a retirada do Brasil do Mapa da Fome e a redução da taxa de desemprego. A campanha também colocou no centro do discurso a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1.

O tema está em discussão no Congresso Nacional e aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Durante a propaganda, Lula defendeu a redução da jornada de trabalho como uma medida para ampliar o tempo disponível dos trabalhadores para descanso e lazer.

A campanha petista também reservou aproximadamente um minuto para atacar Flávio Bolsonaro. O programa fez referência a uma suposta solicitação de R$ 61 milhões atribuída ao senador em conversas com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Na sequência, a propaganda reproduziu um trecho de áudio atribuído a Flávio e questionou a capacidade do candidato do PL de conquistar a confiança dos eleitores.

Flávio mira custo de vida e segurança

Com 4 minutos e 20 segundos de propaganda, Flávio Bolsonaro estruturou seu primeiro programa como uma conversa em uma emissora fictícia chamada “Rádio 22”.

O candidato procurou estabelecer uma diferença entre o que chamou de “Brasil do Lula” e o “Brasil real”. O discurso concentrou-se principalmente na segurança pública, no aumento do custo de vida e nas dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias.

Flávio afirmou que o país estaria sob influência de organizações criminosas e associou a situação ao aumento da pressão financeira sobre consumidores e empresas.

O senador também buscou ampliar o diálogo com o eleitorado feminino. Ao mencionar sua família, afirmou que a formação pessoal não veio apenas do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas também da mãe, da esposa e das filhas.

A estratégia marcou uma tentativa de apresentar uma imagem mais familiar do candidato em sua primeira propaganda eleitoral no rádio.

Caiado prioriza combate ao crime

Ronaldo Caiado teve 2 minutos e 2 segundos de propaganda e concentrou praticamente todo o programa na segurança pública.

O candidato do PSD associou sua trajetória política ao enfrentamento da esquerda e afirmou que o avanço da criminalidade no país seria resultado da falta de atuação dos governos.

Caiado também afirmou que nunca teve proximidade com criminosos e atacou o PT ao responsabilizar governos anteriores pelo cenário de segurança pública.

A área deverá ser um dos principais temas de sua campanha presidencial, em uma tentativa de se diferenciar dos demais candidatos por meio de um discurso de endurecimento contra organizações criminosas.

Augusto Cury critica polarização

Com apenas 35 segundos de propaganda, Augusto Cury escolheu uma estratégia diferente dos demais candidatos.

O candidato do Avante utilizou trechos de notícias sobre disputas políticas envolvendo presidentes anteriores para construir uma mensagem contra a polarização.

Cury se apresentou como uma alternativa ao confronto entre os principais grupos políticos e questionou se o eleitor deseja mais um ciclo de conflitos políticos.

A campanha terminou com uma defesa de diálogo e pacificação, usando a ideia de “cura” do país como principal mensagem.

Como funciona o horário eleitoral

O horário eleitoral gratuito começou neste sábado (29) para candidatos à Presidência e à Câmara dos Deputados. As propagandas serão transmitidas às terças, quintas e sábados.

Nos demais dias da semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, serão exibidos os programas destinados aos candidatos a governador, senador e deputado estadual ou distrital.

Para presidente e deputado federal, cada bloco tem duração de 12 minutos e 30 segundos. No rádio, os programas são transmitidos às 7h e ao meio-dia. Na televisão, os horários são 13h e 20h30.

Já os candidatos ao Senado contam com sete minutos por bloco, enquanto governadores e deputados estaduais ou distritais dividem blocos de nove minutos.

A propaganda eleitoral gratuita é regulamentada pela legislação eleitoral e pelas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelecem regras para a distribuição do tempo e a divulgação das candidaturas e propostas.

A estreia no rádio marcou, portanto, o início de uma nova etapa da disputa presidencial, com Lula e Flávio Bolsonaro transformando o primeiro programa em uma prévia do confronto direto entre os dois grupos políticos, enquanto Caiado reforçou a segurança como principal bandeira e Cury tentou ocupar o espaço de alternativa à polarização.