Flávio Bolsonaro: "Não tem nada de errado" na relação com Vorcaro
Candidato do PL afirma que irmão errou ao elogiar o tarifaço de Donald Trump
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou, na sabatina feita pelos apresentadores do Jornal Nacional, Cesar Tralli e Renata Vasconcelos, não ter havido “nada de errado” na sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso, acusado de fraude financeira.
Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro recursos para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele pediu a Vorcaro R$ 134 milhões, dos quais efetivamente foram repassados R$ 61 milhões.
Questionado, Flávio Bolsonaro afirmou se tratar de uma transação privada. “Esse foi um patrocínio. Não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”, afirmou. Chegou, nesse ponto, a contrapor o caso com patrocínios que Vorcaro também teria feito a programas da TV Globo e eventos do grupo.
Os apresentadores, porém, questionaram Flávio sobre a efetiva prestação de contas dos recursos r que teriam sido repassados para a produção do filme. O candidato do PL respondeu que a produtora apresentou uma prestação de contas, que mostrava, inclusive, um custo do filme maior que o valor repassado. “Eu falei: ‘Quero, em 30 dias, que a produtora apresente uma prestação de contas’. E a produtora apresentou antes do prazo de 30 dias”.
De acordo, no entanto, com os dados apresentados à Polícia Civil de São Paulo, repassados à Polícia Federal, o contador contratado pela produtora afirmou não ter tido acesso ao fundo americano Havengate Development Fund LP, que efetivamente recebeu o dinheiro repassado por Vorcaro. E, assim, não apresentou notas fiscais dos gastos da produção nem o detalhamento do percurso do dinheiro. Os entrevistadores perguntaram se essas informações em algum momento seriam repassadas. “Não houve um centavo de dinheiro público” no filme, respondeu Flávio Bolsonaro.
Flávio foi questionado pelo fato de ter visitado Vorcaro quando ele já estava em prisão domiciliar. “O senhor acha esse comportamento adequado?”, questionou Renata Vasconcelos. Flávio Bolsonaro respondeu atacando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “O que não é adequado é um presidente da República recebendo, em uma reunião secreta, um banqueiro, prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco. Quem deve explicações é o Lula”.
Tarifaço
Entre os pontos aos quais foi questionado, Flávio Bolsonaro respondeu sobre o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros. Os apresentadores questionaram o candidato a respeito das declarações feitas por seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nas quais elogiava a sobretaxação feita por Trump.
Para Flávio, Eduardo Bolsonaro “errou” ao agradecer o tarifaço. Mas defendeu a atuação de seu irmão nos Estados Unidos. “Se ele tivesse colocado os seus próprios interesses na frente do Brasil, ele não teria ficado exilado, como está nos Estados Unidos. Ele faz um trabalho de conscientização de mostrar ao mundo o que está acontecendo no Brasil”.
Golpe
Flávio Bolsonaro falou também da condenação de seu pai a 27 anos de prisão por chefiar uma tentativa de golpe de Estado no país. Para o candidato do PL, “uma grande farsa para tirar Bolsonaro da vida pública”. Para Flávio, seu pai foi julgado “por seus inimigos”.
Os apresentadores confrontaram Flávio com depoimentos no julgamento, como do general Mario Fernandes, assessor do governo Bolsonaro, que admitiu ter sido o autor do plano Punhal Verde Amarelo, que previa o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. “Se esse general planejou isso, a responsabilidade é dele”.