Congresso define relatora de MP que acaba com taxa das blusinhas
Comissão será presidida por Reginaldo Lopes e pode votar medida na segunda-feira; plenários da Câmara e do Senado devem analisar texto na quarta
O Congresso Nacional definiu nesta sexta-feira (28) os nomes que vão comandar a comissão responsável por analisar a medida provisória que prevê o fim do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido popularmente como “taxa das blusinhas”.
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) foi escolhido para presidir o colegiado, enquanto a senadora Leila Barros (PDT-DF) ficará responsável pela relatoria da proposta.
A expectativa é que Leila apresente o parecer sobre a medida na próxima segunda-feira (31). Segundo Reginaldo Lopes, a comissão poderá votar o relatório no mesmo dia.
Apesar do prazo apertado, o presidente do colegiado afirmou que deputados e senadores deverão ouvir representantes do setor produtivo antes da votação e não descartou a possibilidade de alterações no texto.
MP pode ser votada na Câmara e no Senado
Depois da análise na comissão, a medida provisória deverá ser levada aos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
A previsão é que as duas Casas apreciem o texto na quarta-feira (2).
A votação é considerada urgente porque a MP tem prazo de validade até 8 de setembro. Caso não seja aprovada pelo Congresso dentro do período previsto, a regra que permite zerar o imposto deixará de valer e a cobrança poderá voltar a partir de 9 de setembro.
O que muda com o fim da taxa das blusinhas?
A medida provisória foi publicada em maio e permite que o ministro da Fazenda altere as alíquotas do imposto de importação aplicado às remessas postais internacionais.
Entre as possibilidades está a redução para zero da alíquota sobre compras de até US$ 50.
A mudança atinge diretamente consumidores que fazem compras em plataformas internacionais de comércio eletrônico.
A chamada taxa das blusinhas ganhou esse apelido depois que o governo passou a cobrar, em 2024, 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.
A cobrança provocou forte reação entre consumidores, principalmente porque atingia produtos de baixo valor adquiridos em plataformas estrangeiras.
Acordo entre Lula e presidentes do Congresso destravou votação
A tramitação da medida provisória avançou depois de um acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O entendimento foi firmado durante um almoço realizado na quarta-feira (26), quando os líderes anunciaram que a proposta seria colocada em votação.
Alcolumbre afirmou que o Congresso faria um esforço concentrado para analisar a matéria e permitir que ela seja transformada em lei.
Taxa das blusinhas divide consumidores e varejo
A cobrança do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor se tornou um tema de forte repercussão entre consumidores brasileiros.
A principal crítica é de que a tributação aumentou o preço final de produtos considerados baratos e afetou especialmente quem utiliza plataformas internacionais para comprar roupas, acessórios, eletrônicos e outros itens de menor valor.
Por outro lado, representantes do varejo brasileiro defendem a manutenção de uma tributação sobre os produtos importados.
O argumento do setor é que a ausência de imposto para compras de pequeno valor cria uma diferença de tratamento entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras, gerando uma possível concorrência considerada desigual.
Fim do imposto ganha peso político para o governo
A discussão também ganhou importância política para o governo Lula por envolver uma medida com impacto direto no bolso dos consumidores.
A decisão de retirar a cobrança ocorre depois de o próprio governo ter apoiado a criação do imposto em 2024.
Com a proximidade das eleições e a possibilidade de uma nova candidatura de Lula à Presidência, o tema passou a ter ainda mais relevância no debate político.
Agora, deputados e senadores terão poucos dias para analisar o relatório, discutir eventuais alterações e decidir se o fim do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 será transformado em uma regra permanente.
Se o Congresso não concluir a votação até o prazo estabelecido, a cobrança poderá voltar a ser aplicada a partir de 9 de setembro.