‘Dark Horse’ avança na Ancine, mas mantém Flávio sob cobranças
Com investigações ainda em curso, candidato diz que já prestou contas e transfere questionamentos para Lula
O registro de “Dark Horse” na Agência Nacional do Cinema (Ancine) abriu uma nova etapa para o filme sobre Jair Bolsonaro enquanto as investigações sobre a produção continuam. A agência concedeu o Registro de Obra Estrangeira (ROE), necessário para o lançamento comercial no Brasil. A autorização, porém, ainda não garante a estreia nos cinemas, porque a distribuidora precisa solicitar o Certificado de Registro de Título (CRT).
O movimento ocorre enquanto Flávio Bolsonaro (PL) tenta afastar da campanha as cobranças sobre o financiamento da produção. Na segunda-feira (24), após reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o candidato voltou a afirmar que as informações sobre os gastos já foram apresentadas e direcionou os questionamentos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Da minha parte, eu digo o seguinte: quem tem que prestar conta não sou eu, é o Lula que tem que prestar conta”, afirmou.
“Vocês querem insistir com uma relação privada, de um fundo privado, que não tem contrapartida pública de nada. Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página desse cara [Lula]. Não vão me colocar. Hoje o governo Lula é que deve explicações.”
Lulinha
Do outro lado da disputa, Lula evitou nesta terça-feira (25) responder às perguntas sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, após participar da cerimônia do Dia do Soldado, em Brasília. O filho do presidente é alvo de três inquéritos da Polícia Federal.
Para o cientista político e professor do Ibmec Leandro Gabiatti, ainda não é possível medir o efeito dessas posturas sobre o eleitor. “Tanto a reação quanto a omissão são respostas pouco efetivas. Será necessário aguardar o avanço das investigações e o envolvimento dos investigados para entender melhor o potencial impacto sobre cada candidato”.
Segundo o cientista, corrupção está entre as preocupações do eleitor. Em um cenário polarizado, atacar o adversário pode ajudar a preservar votos já conquistados, mas tende a ter menor efeito sobre o eleitor mais ponderado. “A imagem que fica é a de que ambos candidatos se limitam a expor o outro e não a dar explicações ou prestar contas”.
Investigações
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar dados reunidos pela Polícia Civil de São Paulo em investigação que alcançou a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. A PF pretende cruzar o material com informações já reunidas e aprofundar o rastreamento dos recursos.
Nesta terça-feira (25), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a atuação da Polícia Civil paulista das críticas de opositores de que a corporação teria segurado a investigação, e afirmou que as determinações judiciais serão cumpridas.
“Isso é um desrespeito com a polícia de São Paulo. É uma polícia extremamente profissional, é uma polícia de Estado, não é uma polícia de governo. [...] A gente tem que ter confiança nas instituições de Estado. E, obviamente, se tem uma determinação judicial, a determinação vai ser cumprida”, afirmou.
Para o advogado criminalista Jefferson Nascimento da Silva, registro e investigação são procedimentos distintos. “O registro da obra pela Ancine é uma questão administrativa e não representa, por si só, conclusão sobre as investigações relacionadas ao financiamento do filme.”
Com o filme avançando no caminho burocrático e as apurações seguindo em paralelo, “Dark Horse” permanece na disputa eleitoral. Flávio direciona as cobranças para Lula, enquanto o presidente evita responder sobre o filho.