TSE avaliará se houve abuso em desfile de carnaval que homenageou Lula

Problemas na homenagem da Acadêmicos de Niterói foram antecipados pelo Correio da Manhã

Por Gabriela Gallo

TSE julgará se houve abuso de poder econômico na homenagem da escola

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou uma ação do partido Novo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por suposto abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação devido à apresentação da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Lula no carnaval deste ano.

O caso foi aceito pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira. Ele ainda concedeu prazo de cinco dias para que as defesas de Lula e Alckmin se manifestem sobre as acusações.

Antes mesmo do desfile da escola de samba no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, em 15 de fevereiro, a Coluna Magnavita do Correio da Manhã já antecipava os possíveis problemas eleitorais da escolha da homenagem e já informava que os partidos de direita decidiram não interferir antes que o desfile ocorresse, justamente para embasar uma ação no TSE.

Recursos públicos

A acusação sustenta que os municípios de Niterói e do Rio de Janeiro, o estado do Rio de Janeiro e a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) destinaram à agremiação R$ 9,6 milhões "por instrumentos posteriores ao anúncio público do enredo, ocorrido em julho de 2025". O recursos ainda alegam que "os repasses públicos foram feitos em inobservância a padrões de legalidade".

Como adiantado pela Coluna Magnavita, a Justiça Eleitoral avaliará uma suposta relação entre o presidente Lula e o então presidente da agremiação na época do carnaval Wallace Palhares, que era vereador pelo PT de Niterói. Poucos dias antes do desfile, em 5 de fevereiro, Palhares foi exonerado do cargo de assistente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

"Elementos suficientes"

Ao Correio da Manhã, o especialista em direito eleitoral e sócio do Guilherme Mota Advogados Guilherme Augusto Mota reiterou que o TSE "ainda não reconheceu a existência de abuso eleitoral", mas entendeu que existem elementos suficientes para justificar que seja aprofundada a apuração dos fatos.

"O que será necessário investigar é se houve direcionamento excepcional de recursos, participação dos investigados ou alguma articulação destinada a transformar financiamento público e exposição midiática em vantagem eleitoral. Não basta apenas demonstrar que o fato beneficiou politicamente o candidato. É necessário comprovar que a conduta apresentou gravidade suficiente para comprometer a normalidade e a igualdade da disputa", explicou Guilherme para a reportagem.

A reportagem ainda conversou com o advogado e especialista em Direito Eleitoral Renato Ribeiro de Almeida. Ele explicou que o "aspecto juridicamente mais sensível do processo está justamente na passagem entre dois planos que não podem ser automaticamente confundidos".

"Uma coisa é discutir a regularidade administrativa dos recursos públicos destinados ao carnaval e reconhecer que um desfile dedicado à trajetória de um pré-candidato produziu exposição política. Outra, juridicamente muito mais exigente, é demonstrar que configurou abuso de poder econômico", completou Ribeiro.

Agora serão apresentadas as defesas e produção de provas contra Lula. Caso o tribunal julgue a ação como precedente e os magistrados considerem que foram praticados os crimes eleitorais, as consequências podem alcançar cassação do registro ou do diploma do candidato e eventual inelegibilidade de oito anos.