Propaganda é o momento para atrair eleitor indeciso, diz especialista
Levantamento BTG/Nexus aponta 23% de eleitores ainda sem candidato em pesquisa espontânea
Divulgadas as pesquisas de intenção de voto, a expectativa era que as eleição presidencial ficaria na mão dos eleitores indecisos, ou seja, aqueles que não têm interesse em reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tampouco em votar em seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nesta segunda-feira (17), a pesquisa de intenção de voto BTG/Nexus apontou que, no levantamento espontâneo, quando não é apresentada ao eleitor uma lista de candidatos, 23% dos entrevistados ainda não tinham decidido um nome para presidente da República. Já quando foram listados os nomes dos presidenciáveis que disputarão o primeiro turno eleitoral, o número cai para 7% de eleitores indecisos. Contudo, dos entrevistados que escolheram um candidato no primeiro turno, 20% disseram que ainda podem mudar de decisão.
Eleitor
Considerando que na urna eletrônica é necessário chegar com o número do candidato, o voto espontâneo do eleitor das pesquisas se assemelha mais ao que na prática ocorrerá no dia de votação.
Somado a isso, os principais partidos do Centrão (como União Brasil, MDB, PP e Republicanos) declaram neutralidade em 25 estados do país, priorizando palanques flexíveis e dando maior liberdade para declarações individuais de seus membros, sem que estes representem o partido como um todo.
“Os partidos de centro são federações de partidos estaduais, de base estadual. E em cada estado se tem uma aliança, um apoio, ainda que seja velado, de um candidato mais a favor do Lula e outro mais a favor do Flávio Bolsonaro. E é exatamente por isso que o Centrão, de forma estratégica, declarou a neutralidade para privilegiar as alianças estaduais”, detalhou para o Correio da Manhã o professor de Ciência Política e Direito Constitucional do Centro Universitário Estácio de Belo Horizonte Lucas Zandona.
A reportagem também conversou com o cientista político e diretor da Dominium Leandro Gabiati. Ele considerou a margem de indecisos relativamente baixa e destacou que os dados da pesquisa evidenciam uma cristalização dos votos, que é “quando grande parte dos eleitores já tem um candidato definido e muito dificilmente mudará de escolha”.
“É por isso que temos uma polarização muito sólida entre Lula e Flávio e também é por isso que não se enxerga, ao menos por enquanto, uma possibilidade de crescimento dos candidatos alternativos de centro-direita e direita como Zema, Caiado e Renan Santos”, reiterou Gabiati, referindo-se a Romeu Zema, do Novo, Ronaldo Caiado, do PSD, e Renan,do Missão.
Lucas Zandona ainda reiterou que “o eleitor brasileiro médio não tem uma vinculação ideológica a um partido ou a um candidato”.
“O que nós temos no Brasil é uma divisão onde você vai ter, basicamente, 40% direita, centro-direita, 40% esquerda, centro-esquerda e 20% que são os que nós denominamos indecisos, porque uma hora ele vota na direita, outra hora na esquerda. Lembrando que no Brasil o voto é absolutamente pessoal, não se vota na proposta, não se vota na ideologia, se vota no candidato”, ele detalhou.
Começou no domingo (16) o período de propaganda eleitoral na rua e na internet para os candidatos. E para o professor universitário, este é o momento dos presidenciáveis adotarem seus discursos e propostas de governo para este eleitorado indeciso. Questionado pela reportagem, o analista político avalia que o foco dos candidatos será voltado para a segurança pública.
“Agora que esse debate entrou na pauta do eleitor é que ele vai começar a formar a sua escolha para a eleição. Os partidos sabem disso, os candidatos sabem disso, os institutos de pesquisa sabem disso e obviamente que eles vão tentar retratar na pesquisa aquilo que preocupa esse eleitor indeciso. Porque é esse candidato que souber falar aquilo que preocupa o eleitor indeciso é que vai receber o voto dele”, completou Zandona.
Para o cientista político, os adversários de Lula e Flávio Bolsonaro também têm o desafio de provar que são, efetivamente, uma terceira via e não “uma derivação” dos dois candidatos. “Depois que ele se deslocar e se apresentar como terceira via, ele tem que ser conhecido pelo eleitor, porque na cabeça do eleitor médio, o Brasil está dividido entre esquerda e direita. Então, aparecer um candidato que fura essa bolha é importante”, ele pontuou.
Pesquisa
O levantamento BTG/Nexus ouviu 2.003 eleitores com 16 anos ou mais distribuídos proporcionalmente entre as 27 unidades da Federação, entre os dias 14 e 16 de agosto. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Nas intenções de votos espontâneas os cinco principais candidatos que apareceram foram: Lula, com 38% dos votos; Flávio Bolsonaro, com 29; Renan Santos (Missão) 3%, e Caiado e Zema,respectivamente com 2% das intenções de votos e 1%. Os demais são os indecisos.
Já num cenário estimulado de primeiro turno com os 13 presidenciáveis, Lula conta com 41% das intenções de voto, Flávio tem 36%, Caiado 5% e, tanto Renan Santos quanto Romeu Zema têm 4%. Dos demais candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) têm 1% das intenções de votos cada um.
Já em um cenário de segundo turno entre os principais candidatos, Lula tem 47% dos votos e Flávio 44%. Segundo a pesquisa, um eventual segundo turno entre Lula e Ronaldo Caiado também resultaria em empate técnico, com 46% das intenções de voto para o petista e 42% dos votos para o goiano. O cenário já se distancia um pouco em uma disputa contra Zema (Lula com 46% e o mineiro com 41% dos votos) e contra Renan Santos (47% para o petista e 36% para o representante do Missão).