Presidente da Conafer é preso pela PF por fraude no INSS

Carlos Lopes foi indiciado na Operação Sem Desconto, que investiga esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões

Por Ana Laura Gonzalez

Carlos Lopes, o então presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer)

A Polícia Federal (PF) prendeu, na noite desta quarta-feira (12), Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). O dirigente é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Lopes havia sido indiciado pela PF no mês passado e era considerado foragido desde novembro de 2025. Ele se apresentou à Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, e, segundo a corporação, será encaminhado ao sistema prisional após os procedimentos administrativos.

A Conafer é apontada pelos investigadores como uma das organizações centrais do esquema, que teria utilizado filiações falsas para realizar cobranças de mensalidades diretamente nos benefícios pagos pelo INSS.

Presidente da Conafer estava foragido

Carlos Lopes foi alvo de um mandado de prisão em 17 de novembro, mas não foi localizado pelos agentes responsáveis pelo cumprimento da ordem. Desde então, passou a ser considerado foragido.

Na ocasião, a Conafer negou que o presidente tivesse fugido. Em nota, a entidade afirmou que Lopes estava “em viagem em área de difícil acesso e com limitação de comunicação” e que estaria retornando.

A prisão ocorreu após a apresentação voluntária do dirigente à Polícia Federal nesta quarta-feira.

No relatório em que pediu o indiciamento, a PF apontou que Lopes deve responder, de acordo com sua participação nos fatos investigados, por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada.

O relatório final da investigação foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conafer foi principal alvo de investigação

A prisão de Carlos Lopes ocorreu após a conclusão da primeira etapa investigativa da Operação Sem Desconto.

No mês passado, a Polícia Federal indiciou 48 pessoas no inquérito, entre elas ex-integrantes da cúpula do INSS e pessoas apontadas como operadores do esquema.

Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

A Conafer foi o principal alvo do inquérito que resultou no indiciamento de Carlos Lopes.

Como funcionava o esquema de descontos no INSS

Segundo as investigações, aposentados e pensionistas tiveram valores descontados mensalmente de seus benefícios sem autorização.

Os descontos apareciam como mensalidades referentes à filiação a associações de aposentados. No entanto, conforme a apuração, parte dos beneficiários não havia solicitado a associação nem autorizado a cobrança.

A suspeita é de que entidades utilizavam dados de beneficiários para efetivar as cobranças diretamente nos pagamentos realizados pelo INSS.

Os investigadores estimam que os descontos indevidos em aposentadorias e pensões podem alcançar R$ 6,3 bilhões.

Investigação começou em 2023

A apuração teve início em 2023, a partir de uma investigação administrativa conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU).

No ano seguinte, após a identificação de indícios de possíveis crimes, a Polícia Federal passou a atuar no caso.

A investigação deu origem à Operação Sem Desconto, que passou a apurar a atuação de associações, intermediários e agentes públicos na realização de descontos não autorizados nos benefícios previdenciários.

A reportagem está em atualização.