Após crise no PL, Michelle entra na campanha de Flávio
Ex-primeira-dama grava com o candidato do PL e diz que vai ajudar na articulação de apoios e na mobilização do eleitorado feminino
Depois de um período marcado por atritos dentro do PL, Michelle Bolsonaro entrou de vez na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama se encontrou nesta terça-feira (11) com o enteado para participar de gravações eleitorais e afirmou que pretende atuar na articulação de apoios e, principalmente, na aproximação da candidatura com o eleitorado feminino.
O movimento ocorre depois de uma crise que expôs divergências entre Michelle e integrantes do partido, especialmente por causa das alianças estaduais. Agora, ela diz considerar o episódio superado e fala em união em torno da candidatura de Flávio.
“Agora é página virada e todos unidos vamos trabalhar para a gente resgatar o nosso Brasil”, afirmou Michelle.
A participação na campanha começa com as gravações ao lado de Flávio e deve avançar também pelas redes sociais. Michelle afirmou que ainda não sabe qual será sua disponibilidade para viajar pelo país, mas garantiu que o candidato poderá contar com ela.
“Viajar eu não sei como vai ser. Acho que a gente vai viver um dia de cada vez, a gente vai tentar se organizar, mas ele pode contar comigo nas redes sociais e contar também com a força feminina que está espalhada pelo Brasil”, disse.
Eleitorado feminino
Michelle aposta principalmente na estrutura política construída enquanto esteve à frente do PL Mulher. Segundo ela, o trabalho desenvolvido pelo movimento ajudou a eleger 1.005 mulheres e criou uma rede que agora poderá ser mobilizada em favor de Flávio.
“Acho que a base já está pronta. A gente percorreu o Brasil por um ano justamente pensando nas eleições de 2026, para que o nosso candidato tivesse o apoio do público feminino”, afirmou.
A ex-primeira-dama disse ainda que já começou a organizar sua participação na pré-campanha e a buscar novos aliados. “Estou construindo também, articulando também os apoios. Então, estou começando agora”, declarou.
Ela descartou, porém, reassumir a presidência do PL Mulher. Michelle afirmou que vive “um novo ciclo” e que, neste momento, também precisa conciliar a campanha com os cuidados com seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
Feridas no partido
Apesar do discurso de pacificação, Michelle voltou a falar sobre as divergências que provocaram seu afastamento da direção do PL Mulher. Ela afirmou que tinha autonomia para participar da construção dos diretórios estaduais e das candidaturas femininas, mas considerou que esse espaço não foi respeitado como esperava.
O principal foco da crise foi o Ceará. Michelle reafirmou ser contrária à aliança do PL com Ciro Gomes e classificou sua posição como “visceral”. Segundo ela, o desgaste vinha desde novembro, quando chegou a procurar a direção da legenda para deixar o comando do PL Mulher, mas foi convencida a tirar uma licença.
Ao ser questionada sobre suas relações dentro do partido depois dos episódios, evitou aprofundar as divergências. “Um dia de cada vez, a gente está se ajustando, mas eu não guardo mágoa de ninguém. Acho que as coisas vão se ajustando aos poucos”, disse.
Palanques pelo país
Do lado de Flávio, a estratégia é usar as próximas semanas para ampliar os palanques estaduais. O candidato afirmou que a campanha pretende apoiar 47 candidatos ao Senado e destacou que a quantidade de nomes competitivos para o Senado, Câmara e governos estaduais dará maior capilaridade à candidatura presidencial.
Flávio também confirmou que Michelle participaria das gravações e elogiou a atuação da ex-primeira-dama. A agenda reúne aliados que devem produzir peças adaptadas às diferentes realidades estaduais, embora seguindo uma linha nacional definida pela campanha.
A ex-primeira-dama, ao menos por enquanto, deixa a direção partidária de lado, mas volta ao centro da campanha eleitoral.