Relação com a Argentina depende do fim das "agressões" a Lula, diz Vieira
Mauro Vieira afirmou que o Brasil precisa de um gesto do presidente da Argentina, Javier Milei, para normalizar relações diplomáticas
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a normalização das relações diplomáticas entre o Brasil e a Argentina depende do fim das “agressões” do presidente Javier Milei a Lula, iniciadas durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, em julho. O chanceler classificou o discurso de Milei no evento como “algo assombroso”.
As declarações do chefe do Itamaraty foram feitas ao jornal argentino Clarín durante passagem de Vieira pela Colômbia para a posse do presidente Abelardo de la Espriella. “É necessário um gesto: o de parar as agressões”, disse o ministro, que lembrou que Milei repetiu as ofensas “várias vezes em menos de uma semana”.
De acordo com Vieira, as relações diplomáticas entre Brasil e Argentina se deterioraram a partir dos ataques de Milei a Lula e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, os dois países mantêm apenas os encarregados de negócios em suas embaixadas. O ministro disse esperar que os dois embaixadores retornem a seus postos com a normalização das relações.
Na entrevista, Vieira também negou a insinuação de Milei de que o Brasil tivesse supostamente financiado uma “campanha internacional” contra a Argentina e rebateu as afirmações do presidente de que Lula seria “comunista”, destacando que o brasileiro nunca buscou alterar o caráter capitalista da economia do país.
“A Argentina deve valorizar sua relação com o Brasil da mesma forma que o Brasil valoriza a sua com a Argentina. Precisamos ser muito claros quanto a isso, pelo bem dessa relação: esse tipo de agressão deve cessar imediatamente para que possamos trabalhar no vínculo bilateral, que é tão importante”, disse Vieira.
“Para o governo brasileiro, a relação entre os dois países é primordial, extremamente importante, e precisamos saber se o atual governo argentino compartilha dessa visão em relação ao Brasil”, afirmou o chanceler.