Após três meses afastados, Lula e Alcolumbre se reúnem

Encontro ocorreu na casa do ministro do STF Alexandre de Moraes

Por Gabriela Gallo

Lula e Alcolumbre se afastaram depois da rejeição de Messias para o STF

Após três meses afastados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se reuniram num esforço para se reaproximarem e reatarem a convivência no segundo semestre deste ano. Eles se encontraram em um jantar na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em Brasília, na noite desta terça-feira (4).

Para além do vice-presidente da Suprema Corte, a reaproximação e a tentativa de restabelecer o canal entre os presidentes da República e da Casa Alta do Poder Legislativo também foi arquitetada pelo ministro do STF Cristiano Zanin.

Questionado pela imprensa sobre o que conversou com Lula no jantar organizado pelos ministros do STF, Alcolumbre se limitou a dizer: “Segredo”.

Lula e Alcolumbre enfrentavam atritos desde novembro do ano passado, mas foi em abril deste ano que eles deixaram de se reunir definitivamente após o Senado Federal rejeitar a indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, como novo ministro do Supremo.

A derrota do governo foi histórica, já que nenhum nome indicado pelo então presidente da República ao STF fora rejeitado desde o governo de Floriano Peixoto, em 1894. O STF está com um ministro a menos desde outubro de 2025, com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso.

Temas de interesse

A reaproximação dos presidentes do Executivo e Legislativo se faz necessária para trazer maior articulação e comunicação entre os poderes, além de aumentar o diálogo na análise e discussão de medidas de interesse de ambas as partes.

Um dos temas de interesse do governo para ser aprovado ainda neste ano é a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a jornada de trabalho na escala 6X1 e reduz a jornada de trabalho para trabalhadores de carteira assinada de 44 horas semanais para 40 horas semanais (PEC 221/2019). Aprovado com ampla maioria na Câmara dos Deputados, o texto está travado no Senado Federal ainda sem previsão de que Davi Alcolumbre encaminhe a medida para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa e escolha o relator da medida.

Todavia, apesar do interesse do poder Executivo na aprovação da PEC o quanto antes, na avaliação do sócio da área trabalhista do Salles Nogueira Advogados Alessandro Vietri, a decisão final sobre o tema será postergada para 2027.

“A paralisação atual, sem despacho do presidente da Casa para a CCJ, não é um mero detalhe burocrático. No meu ponto de vista, ela sinaliza uma resistência política e econômica significativa”, sinalizou, em conversa ao Correio da Manhã.

“No Legislativo, o foco dos parlamentares nas eleições de outubro esvaziam o Congresso, tornando extremamente difícil obter o quórum qualificado. A resistência setorial de setores cruciais da economia, como comércio, serviços, saúde e indústria, também pressiona legitimamente contra uma mudança que impacta diretamente os custos operacionais e a organização do trabalho”, avaliou o advogado.