Declaração de ministro sobre "abrir o portão" para os EUA irrita Lula
Ministro da Defesa, José Múcio, declarou que seria melhor "abrir o portão" em caso de tentativa de invasão militar dos EUA ao Brasil
A declaração do ministro da Defesa, José Múcio, de que o Brasil deveria “abrir o portão” no caso de uma eventual tentativa de invasão militar por parte dos Estados Unidos irritou o presidente Lula. A afirmação foi feita na terça-feira (4), em um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), quando o ministro defendia mais investimentos nas Forças Armadas.
“Dia desses um jornalista me perguntou: ‘Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que o senhor faz como ministro da Defesa?’ Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, disse o ministro.
Para Lula, no contexto da defesa da soberania nacional diante das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump e com a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, na mesma data, a brincadeira de Múcio foi “inadequada”.
O assunto será tratado em uma reunião entre Lula e o ministro. Na avaliação do presidente, a declaração de Múcio causou uma má impressão internacional e enfraqueceu o discurso de campanha sobre a soberania nacional.
Múcio, que mantém uma amizade pessoal com o presidente, já pediu para deixar o cargo, mas foi mantido por Lula. No caso da reeleição de Lula em outubro, o ministro deve ser substituído, possivelmente, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Aliados do presidente também defendem a nomeação de uma mulher, que seria a primeira a comandar as Forças Armadas brasileiras.
Para um eventual quarto mandato, Lula planeja investimentos em inteligência militar e tecnologia, além da criação de uma Guarda Nacional. De acordo com Múcio, atualmente, o Brasil destina cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), montante inferior ao de outros países, o que dificulta investimentos a longo prazo no desenvolvimento de tecnologias e aquisição de equipamentos.
“Investir em defesa é como um plano de saúde. A gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar”, disse o ministro, que defende o aumento da capacidade de intimidação das Forças Armadas para evitar conflitos.