Milei volta a chamar Lula de "ladrão" e amplia crise com o Brasil

Presidente argentino também voltou a defender declarações feitas durante convenção do PL, criticou Alexandre de Moraes, elogiou Flávio Bolsonaro e fez novas acusações sem apresentar provas

Por Ana Laura Gonzalez

Javier Milei

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e intensificou a crise diplomática entre os dois países ao chamá-lo de "ladrão" e "corrupto" durante entrevista publicada neste domingo (3) pelo jornal argentino La Nación. O mandatário argentino também criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e reafirmou apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Na entrevista, Milei afirmou que Lula "não é inocente" das condenações impostas durante a Operação Lava Jato e declarou que o petista teria sido beneficiado apenas por questões processuais.

As condenações de Lula, no entanto, foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021. A Corte concluiu que o então juiz Sérgio Moro atuou com parcialidade e que os processos foram julgados por um juízo incompetente, anulando todas as condenações. Com isso, Lula recuperou seus direitos políticos e voltou à condição jurídica de inocente.

Milei defende ataques feitos no Brasil

Durante a entrevista, o presidente argentino também defendeu as declarações feitas na convenção nacional do PL, realizada na semana passada em São Paulo, quando participou do lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Segundo Milei, suas falas foram dirigidas exclusivamente ao presidente brasileiro.

"É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", afirmou.

O argentino voltou a dizer que Lula interfere politicamente em outros países da América Latina e acusou o governo brasileiro de promover ideias socialistas na região. No entanto, não apresentou provas nem exemplos concretos para sustentar as alegações.

Milei também afirmou que sofreu tratamento desigual em relação às críticas dirigidas a outros líderes políticos e voltou a classificar Lula como "vigarista" e "corrupto".

Acusações sem provas

Na entrevista, Javier Milei ainda acusou o governo brasileiro de financiar campanhas digitais contra a Argentina e alegou que haveria uma articulação envolvendo influenciadores, governos estrangeiros e setores da oposição argentina.

As acusações foram feitas sem apresentação de provas ou documentos que sustentassem as afirmações.

Declarações sobre Alexandre de Moraes

O presidente argentino voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem já havia chamado de "lixo careca" durante sua participação na convenção do PL.

Segundo Milei, a crítica ocorreu após Moraes impedir uma visita dele ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Reação do governo brasileiro

As declarações anteriores de Milei provocaram uma das maiores crises diplomáticas recentes entre Brasil e Argentina.

Após os ataques durante a convenção do PL, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos. O governo brasileiro também chamou de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas.

Questionado sobre as declarações do presidente argentino, Lula respondeu de forma irônica a jornalistas.

"Quem é esse cara?", afirmou o presidente brasileiro.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também criticou as declarações de Milei, classificando-as como "lamentáveis" e afirmando que elas representam um desserviço às relações entre os dois países.

Flávio Bolsonaro elogia Milei

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, elogiou o discurso de Javier Milei na convenção partidária e afirmou que o argentino verbalizou aquilo que, segundo ele, "muitos brasileiros queriam dizer".

Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Flávio declarou que Milei não atacou o Brasil, mas fez críticas ao comunismo. O senador também responsabilizou o governo Lula pelo aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos e afirmou que a política externa brasileira contribuiu para a imposição de tarifas sobre produtos nacionais.