Novo pede cassação de Jaques Wagner por "relações ilícitas" com Master

Representação do Novo no Conselho de Ética do Senado aponta supostas "relações ilícitas" entre Jaques Wagner, Augusto Lima e Daniel Vorcaro

Por Petrônio Viana

Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal (PF) por elo com ex-sócio do Banco Master

A Executiva Nacional do partido Novo entrou com representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado pedindo a perda do mandato do senador Jaques Wagner (PT) por supostas “relações ilícitas” com o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, e com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição.

No documento, a legenda pede que o conselho avalie eventual quebra de decoro de Wagner a partir das investigações da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero, com suposto “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”.

Nesta sexta-feira (31), o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, retirou o sigilo sobre o relatório da PF que apontou 74 ligações telefônicas entre Lima e Wagner entre novembro de 2023 e maio de 2025. A perícia no celular do ex-sócio de Vorcaro mostrou um total de cinco horas e meia de conversa com o senador.

“A narrativa policial, tal como resumida na decisão, organiza-se em três eixos principais: primeiro, a possível entrega de vantagens econômicas, com destaque para a aquisição do apartamento nº 1.702 do empreendimento Poème Horto, em Salvador/BA; segundo, pagamentos e repasses à BN Financeira Ltda. e a outras empresas relacionadas ao núcleo familiar do Senador; terceiro, a verificação de indícios de atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master, especialmente crédito consignado, cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e iniciativas de fiscalização relacionadas à operação Banco Master/BRB”, destaca a representação do Novo.

“Augusto Ferreira Lima, descrito na decisão como gestor ligado ao Banco Master, aparece como o principal interlocutor privado do Senador nos fatos investigados. É a partir dessa relação, tratada pela autoridade policial como antiga, próxima e marcada por confiança pessoal, que se desenvolvem os episódios mais relevantes: deslocamentos em aeronaves, ingressos para eventos, tratativas sobre o apartamento Poème Horto, contatos sobre a operação Banco Master/BRB e diálogos relacionados a matérias legislativas de interesse do grupo econômico”, afirma o documento.

A representação pede a abertura de processo disciplinar, pelo Conselho de Ética, contra Jaques Wagner e a requisição, ao STF, de todos os documentos compartilháveis sobre a Operação Compliance Zero que se refiram ao senador. O Novo quer que sejam investigadas pelo colegiado as suspeitas de “percepção de vantagens econômicas ou patrimoniais” e “a eventual relação entre tais vantagens e a atuação parlamentar em matérias de interesse do Banco Master”.

“Sendo reconhecida a quebra de decoro parlamentar, seja aplicada a sanção cabível nos termos da Constituição Federal, do Regimento Interno do Senado Federal e da Resolução nº 20, de 1993, inclusive, se for o caso, com a remessa da matéria ao Plenário do Senado Federal para deliberação quanto à perda do mandato”, argumenta o partido.