Tereza Cristina volta às negociações para ser vice de Flávio

Após conversa com o presidenciável, senadora admite tratativas sobre a chapa e reabre articulação que havia sido descartada

Por Beatriz Matos

Senadora afirma ter sido primeira conversa sobre ser vice de Flávio

Depois de ter descartado a possibilidade de integrar a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) voltou a figurar como a principal alternativa para ocupar a vaga de vice. Pela primeira vez desde que seu nome passou a ser ventilado, a parlamentar confirmou que conversou diretamente com Flávio Bolsonaro, nesta quarta-feira (29), sobre a formação da chapa.

Em nota, Tereza Cristina afirmou que o tema foi tratado durante o encontro, mas ressaltou que ainda não há qualquer decisão. A senadora disse que uma eventual composição dependerá de avaliações políticas e pessoais, além de entendimentos entre os partidos envolvidos. Com isso, deixou aberta uma possibilidade que, até poucos dias atrás, parecia descartada.

As conversas passam, principalmente, pela federação União Progressista. Como a senadora é filiada ao PP, um eventual acordo depende do aval do presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira (PP-PI), e também de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. As duas siglas integram a federação e discutem conjuntamente a estratégia para a disputa presidencial. Tereza só pode ser candidata a vice se a federação efetivamente fechar coligação com o PL de Flávio Bolsonaro.

Reaproximação

A retomada das negociações acontece em um momento em que Flávio tenta ampliar seu arco de alianças. Desde que lançou a candidatura, PP e União Brasil mantêm distância da campanha e adotam uma posição de neutralidade na disputa presidencial.

O cenário, porém, começou a ser desenhado ainda no fim do ano passado. Depois de Jair Bolsonaro escolher o filho para disputar a Presidência, lideranças do Centrão reclamaram da ausência de diálogo prévio. Entre elas, estavam justamente Ciro Nogueira e Rueda, dois dirigentes que agora voltam a ser peças centrais nas negociações.

Tereza Cristina sempre esteve entre os nomes mais defendidos para a vaga de vice. Antes mesmo da convenção do PL, ela era vista por integrantes da direção nacional como um nome capaz de dialogar com o agronegócio, com o Congresso e com partidos de centro.

A própria senadora, no entanto, já havia informado ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que seu foco era outro: disputar a presidência do Senado em 2027. Por isso, naquele momento, não pretendia aceitar o convite.

Agora, após a conversa direta com Flávio, as tratativas voltaram a avançar e lideranças da federação intensificaram as reuniões para discutir a composição da chapa.

Outros nomes

Nos bastidores, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, evita antecipar quem será a escolhida para compor a chapa. Segundo apuração, ele tem defendido que a vice seja uma mulher e afirma que a decisão ficará com Flávio Bolsonaro.

O dirigente também tem defendido um nome forte e conhecido nacionalmente. Ao falar sobre o perfil desejado, Valdemar costuma citar a necessidade de uma candidata com força política no centro do país e também no sul e mencionou o Paraná como exemplo, mas sem indicar um nome.

Além de Tereza Cristina, dentre as alternativas discutidas estão a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC). A parlamentar, que já demonstrou disposição para integrar a chapa, é um dos nomes defendidos por Eduardo Bolsonaro, que acompanha as articulações dos Estados Unidos.

Outra possibilidade é a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que continua sendo lembrada nas conversas internas.

Já a deputada Priscila Costa (PL-CE) também aparece entre as opções, mas parece não ser o nome preferido de Valdemar. Na avaliação do presidente do PL, apesar de ser uma excelente parlamentar e ter forte atuação no Ceará, ela ainda não possui projeção política suficiente em outras regiões do país.

Mudança na equipe

Enquanto a definição da vice segue em aberto, a campanha também promoveu mudanças na equipe.

Nesta quinta-feira (30), o coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), anunciou a saída dos publicitários Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer da área de comunicação. Em nota, agradeceu o trabalho desenvolvido pelos dois profissionais durante a primeira fase da campanha. Para assumir o comando da comunicação foi convidado o publicitário Duda Lima.