Lula e diretor da OMS visitam Centro de Radioterapia do Hospital Federal do Andaraí, no Rio
Tedros Adhanom exalta o Sistema Único de Saúde do Brasil, por ajudar toda a população do país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na companhia do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, fizeram uma visita ao Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Além deles, também compareceram ao evento o governador em exercício do Estado do Rio, o desembargador Ricardo Couto; o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere; o presidente da Fiocruz, Mario Santos Moreira; do diretor-geral do hospital, Ivison Valverde; além de ministros da Saúde de outros países.
Em sua fala, Lula ressaltou que não estava como pré-candidato, mas como Chefe de Estado e que sua gestão investiu mais na saúde do que a de Jair Bolsonaro. A prova disso, segundo ele foram as modernizações nos equipamentos para tratamento oncológico.
"Agora vocês vão ter um tratamento numa máquina tão moderna que se o Trump tiver que fazer, vai fazer na mesma máquina. Se o Xi Jinping tiver que fazer, vai fazer na mesma máquina. Se o Lulinha tiver que fazer, vai fazer na mesma máquina", disse o presidente.
Citando Trump, Lula pediu para Tedros enviar um recado ao presidente norte-americano, frizando que um país sem muito poder aquisitivo, como o Brasil, consegue garantir o mesmo tratamento de saúde de um líder de Estado a um cidadão comum.
O diretor da OMS recebeu de Padilha um cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) e enalteceu, em seu discurso, os esforços do Brasil no setor e que "é do Rio".
"Num momento em que o financiamento para a saúde global está passando por aperto e os sistemas de saúde de comunidade em toda parte estão sob pressão, o Brasil serve como exemplo para mostrar bem além das suas fronteiras", salientou Tedros.
Para Tedros, a experiência brasileira demonstra que é possível oferecer atendimento universal por meio de políticas públicas consistentes.
"O SUS é um dos raríssimos sistemas de saúde no mundo que cobre toda a população. Com isso, garante acesso às pessoas que não têm condições de pagar pelos serviços de saúde", afirmou.
Durante a agenda, Tedros participou da entrega do dossiê que oficializa o início do processo de certificação internacional para o reconhecimento da eliminação da transmissão vertical da hepatite B — de mãe para filho — como problema de saúde pública no Brasil. A entrega ocorreu no Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais.
Segundo ele, o avanço é resultado de anos de trabalho desenvolvido por profissionais da saúde, pesquisadores e comunidades em todo o país.
"Mais uma vez, agradeço ao Brasil por mostrar que a eliminação é uma disciplina, e não apenas um slogan", declarou.
A visita ao Hospital Federal do Andaraí integrou a programação de Tedros no Brasil, que incluiu a participação na Conferência Internacional sobre HIV/Aids e reuniões com o Ministério da Saúde para discutir estratégias de eliminação de doenças e o fortalecimento da cooperação entre a OMS e instituições brasileiras.
Homenagem na Fiocruz
Tedros recebeu, na segunda-feira (27), o título de Doutor Honoris Causa da Fiocruz, das mãos do presidente da entidade, Mario Moreira, que destacou sua trajetória. Para Moreira, ela "transcende cargos e instituições e se confunde com alguns dos capítulos mais relevantes da história recente da saúde global”.
Tedros destacou que a Fiocruz é um "farol" para a saúde pública mundial, a definiu como a "espinha dorsal científica" da saúde brasileira e uma referência internacional em pesquisa, produção de vacinas e promoção da equidade.
Couto exalta parceria com o Governo Federal
Aproveitando a visita de Lula, o desembargador Ricardo Couto sacramentou o apoio do Ministério da Saúde na ampliação da capacidade de atendimento do Hospital Universitário Pedro Ernesto. O anúncio foi feito durante a cerimônia em que o governo federal apresentou novos investimentos destinados à rede hospitalar federal no estado do Rio de Janeiro.
"A União estará ajudando o Hospital Pedro Ernesto a ampliar suas portas de atendimento. O pedido foi feito pelo secretário Manoel Damião e já foi atendido", afirmou.
Segundo Ricardo Couto, a iniciativa atende a uma solicitação encaminhada pelo secretário estadual de Saúde, Manoel Damião, ao Ministério da Saúde. O governador em exercício, no entanto, não detalhou o valor dos recursos que serão destinados à unidade nem o cronograma previsto para a execução das intervenções.
O Hospital Universitário Pedro Ernesto é uma das principais unidades de ensino e assistência médica do estado e desempenha papel estratégico no atendimento de alta complexidade e na formação de profissionais de saúde.