Diante do tarifaço, Alckmin comanda busca de outros parceiros
Vice-presidente atua para fechar acordo da Coreia do Sul com o Mercosul
Ao mesmo tempo em que ingressou com reclamação na segunda-feira (27) à Organização Mundial de Comércio (OMC) contra o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros, o governo brasileiro intensifica a busca de mercados alternativos.
Trump impôs duas sobretaxações aos produtos brasileiros: 25% como reação a uma investigação que identificava supostas práticas desleais de comércio, e mais 12,5% por suposta leniência na fiscalização de trabalho escravo. O governo brasileiro nega ambas as acusações, e essa é a base da reclamação à OMC. “O Brasil considera que as medidas norte-americanas são injustificadas e incompatíveis com obrigações dos Estados Unidos no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (Gatt-94) e do entendimento relativo às Normas e Procedimentos sobre Soluções de Controvérsias da OMC”, diz o governo brasileiro na representação.
Tais normas, entende o governo brasileiro, impediriam os EUA de utilizar instrumentos de pressão como o tarifaço para influenciar o fluxo de livre comércio entre os países. Já os Estados Unidos dizem basear suas sobretaxações na Seção 301 da Lei de Comércio do país, de 1974.
Coreia do Sul
Enquanto acontece essa discussão, o governo trata de intensificar a busca de novos parceiros comerciais. Nesse sentido, atuará o vice-presidente Geraldo Alckmin no sentido de intensificar o acordo de livre comércio do Mercosul com a Coreia do Sul.
Numa cerimônia na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alckmin disse que a meta do Brasil é dobrar a sua relação comercial com a Coreia do Sul nos próximos dois anos. A ideia, segundo o vice-presidente é dobrar as exportações e, na mesma medida, atrair para o Brasil investimentos sul-coreanos.
Segundo Alckmin, a corrente de comércio entre Brasil e Coreia do Sul já chegou a ser de US$ 15 bilhões, mas depois reduziu-se para US$ 10 bilhões. A intenção é voltar e ultrapassar o antigo patamar.
Entre os setores com potencial de crescimento, segundo Alckmin, estão alimentos, biocombustíveis, inteligência artificial, máquinas e equipamentos e defesa.
Carne
Nessa linha, o vice-presidente informou que uma missão brasileira irá à Coreia do Sul em agosto para tratar especificamente de exportações de carne.
Sem citar especificamente o tarifaço, Alckmin disse que a estratégia diante de medidas comerciais que afetem empresas brasileiras tem duas frentes: proteger os setores impactados e buscar mercados alternativos.
E falou sobre a possibilidade do uso da Lei da Reciprocidade, segundo ele, não como retaliação, mas como uma possibilidade dentro das regras internacionais. “Reciprocidade é possibilidade, não retaliação”, declarou.