Em convenção, PDT fecha apoio à reeleição de Lula
Desde 1989, partido esteve mais distante que próximo do PT nas eleições
O PDT foi o primeiro partido a realizar convenção nacional nesta segunda-feira (20). E, ao contrário de 2022, quando teve um candidato próprio à Presidência – Ciro Gomes, que agora no PSDB será candidato a governador do Ceará –, o PDT apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A convenção aconteceu na sede nacional do PDT, em Brasília. O presidente Lula esteve presente e discursou ao lado do presidente do partido, Carlos Lupi. Em seu discurso, Lupi lembrou da luta de Getúlio Vargas pelo petróleo brasileiro e pelos direitos trabalhistas. Vargas, ao lado de Leonel Brizola, são os principais símbolos do PDT.
“Lupi, nós não temos o direito de perder as eleições”, disse Lula. “Nós vamos derrotar todos. Nós vamos ganhar no primeiro turno”, afirmou o presidente. “Eu tenho 81 anos hoje eu estou mais motivado e mais preparado do que quando eu tinha 57 anos e fui eleito presidente da República pela primeira vez”, afirmou. Pesquisa Quaest divulgada na semana passada, porém, aponta para uma eleição em dois turnos. Lula lidera o primeiro turno com 40% das intenções de voto, contra 28% dados ao seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, Lula tem 45% e Flávio 37%.
Lupi foi ministro da Previdência de Lula. E acabou deixando o cargo em maio do ano passado, quando eclodiram as denúncias do escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na ocasião, também deixou o governo o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Lupi foi substituído no ministério por Wolney Queiroz.
Esquecer o que desuniu
“Estamos somando aquilo que nos une e, porventura, em algum momento nos desuniu, esquecendo isso para olhar para frente”, disse Lupi.
“Hoje, nosso ato é ato de reencontro com a nossa história”, disse Lupi. “De restabelecimento do nosso caminho. Dizer ao presidente Lula que o PDT não falta. Vamos Lula, votamos 13”, concluiu.
Na verdade, ao longo da história nem sempre o PDT e o PT estiveram unidos. Em 1989, Leonel Brizola disputou com Lula a posição no segundo turno, e perdeu por pouco. Lula acabou perdendo para Fernando Collor. Em 1994, Brizola foi novamente candidato e Lula também. Venceu Fernando Henrique Cardoso.
Em 1998, finalmente os dois estiveram juntos. Brizola foi o candidato a vice-presidente na chapa de Lula. Mas FHC acabou reeleito. Em 2002, no primeiro turno o PDT apoiou a candidatura de Ciro Gomes, então candidato pelo PPS. No segundo turno apoiou Lula, que foi eleito presidente. Em 2006, o candidato à Presidência do PDT foi Cristovam Buarque. Em 2010, o partido apoiou a eleição de Dilma Rousseff. Também apoiou sua reeleição em 2014. Então, teve Ciro Gomes como candidato em 2018 e 2022.
Ciro Gomes
Do mesmo estado em que Ciro Gomes agora será candidato a governador, o líder do partido na Câmara, André Figueiredo, disse que com a saída do agora tucano, o PDT volta a “ser raiz”.
“Com a saída do nosso ex-companheiro Ciro, o pessoal falou que o PDT do Ceará morreu. Morreu nada. Voltamos a ser o que éramos. O PDT raiz”, disse André Figueiredo.