A uma semana da convenção, Flávio busca uma vice

Encontros do PL e do PSD para oficializar candidaturas acontecem nesta semana

Por Gabriela Gallo

Flávio ensaia Daniella, mas o PL resiste à escolha

Enquanto o Congresso Nacional está no recesso parlamentar, que segue até o dia 31 de julho, a semana é voltada para as convenções partidárias, que começam nesta segunda-feira (20) e vão até 5 de agosto, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nesta semana, ocorrerá a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL) no sábado (25) às 8h30, no Mercado Pago Hall - Arena Pacaembu em São Paulo. No evento, será oficializada a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para disputar a presidência. No dia seguinte, no domingo (26), será a convenção partidária do Partido Social Democrático (PSD) na sede da legenda, no bairro Bela Vista, em São Paulo. A convenção do Partido dos Trabalhadores (PT) ocorrerá na semana seguinte, em 2 de agosto.

Mulher para Flávio

Enquanto a convenção do PSD já tem a chapa formada pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado para a presidência e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, como vice-presidente, Flávio Bolsonaro ainda precisa escolher um nome para compor sua chapa eleitoral. E, na intenção de atrair o eleitorado feminino, ele vem ponderando escolher uma mulher para ser sua vice-presidente.

A preocupação vem em meio ao desgaste da campanha do senador com o eleitorado feminino. Primeiro pelo atrito que teve com a madrasta e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que gravou dois longos vídeos relatando que Flávio a desmereceu, mas também com declarações polêmicas do aliado Paulo Figueiredo, que disse que “mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras”. Apesar de o senador ter declarado que não concorda com a fala do aliado, Flávio tem feitos movimentos para tentar se reaproximar com o eleitorado feminino (52,8% da população).

Em uma live na noite da última quinta-feira (16), o senador lançou o plano de governo “Brasil por Elas”, voltado para combater a violência doméstica e trazer maior autonomia para as mulheres. Nessa transmissão, o senador estava acompanhado da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos), que coordenou o plano e também tem colaborado na pré-campanha eleitoral de Flávio.

Durante a live, o senador verbalizou a possibilidade de Daniella ser vice em sua chapa eleitoral. “Eu já falei várias vezes: a minha preferência é que [a vice] seja uma mulher. Estão falando muito o nome da Dani. Então é importante vocês conhecerem, olhando para a frente”, disse Flávio apontando para Daniella durante a live. O problema de Daniella: o presidente do PL, Valdemar Costa Neto não a quer. Declarou que ela não tem voto.

Daniella Marques foi uma das principais assessoras do ex-ministro da economia Paulo Guedes durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Contudo, o Partido Liberal tem resistências à indicação da economista por acreditar que Daniella não tem a força política necessária para representar uma competidora na campanha de Flávio.

“Entendo que Flávio tenha anunciado o nome de Daniella antes de haver um acordo com o partido para demonstrar que a iniciativa é dele e, por tomar a dianteira na discussão, colher os dividendos de ter saído na frente. Dessa maneira, ele reduz as possibilidades de desgaste, mesmo que na convenção o partido acabe optando por outro nome na vice. Ele sai ganhando de toda maneira”, avaliou para o Correio da Manhã o especialista em Marketing Político Leandro Coutinho.

Questionado pela reportagem, se o senador tem tempo de arranjar uma candidata para ser sua vice a tempo da Convenção Nacional do PL, Coutinho destacou que “a iniciativa de Flávio tem o efeito de pressionar o partido a optar por uma candidatura feminina na vice”.

“Se não for Daniella, por partido acaba sendo forçado a encontrar outra mulher. Uma decisão diferente pode representar um desgaste para Flávio, sim, mas também para o PL. Assim sendo, a chapa deve encontrar uma candidata para a vaga”, disse o especialista em marketing político, que não descarta as deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF) como possíveis candidatas para a vaga.