Oposição aciona PGR contra Mauro Vieira após ministro faltar

Chanceler foi convocado para depor no Congresso sobre possível intervenção dos EUA por terrorismo

Por Gabriela Gallo

Deputados acusam Vieira de crime de responsabilidade

Convocado para prestar depoimento na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados na manhã desta quarta-feira (15), o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, não compareceu ao depoimento. Diante da ausência de Vieira, a comissão encaminhou para a Procuradoria-Geral da República (PGR) uma notícia-crime contra o chanceler, alegando que o caso se trata de possível crime de responsabilidade. O tema será analisado pela PGR.

Representando o chanceler na comissão, o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) disse que o ministro já tinha comunicado que somente teria agenda disponível para participar da comissão em agosto, mas que os membros da comissão insistiram em manter a sessão em data e horário inviável para o ministro de Relações Exteriores.

Mauro Vieira não compareceu porque ele participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir a resposta do Brasil acerca das tarifas de 25% impostas pelo governo dos Estados Unidos (EUA) contra produtos brasileiros.

“Evasivo e lacônico”

Contudo, o vice-presidente do colegiado na Câmara, deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) manifestou que “o ministro não apresentou qualquer agenda prévia que justifique essa ausência” e, por isso, apresentaram a notícia-crime à PGR. “Fomos surpreendidos com a informação transmitida pela assessoria e não pelo ministro. Um comunicado evasivo e lacônico”, disse Van Hattem.

“Não foi alegada missão oficial, compromisso internacional previamente assumido, enfermidade, impedimento legal, situação de força maior ou qualquer outra circunstância excepcional que inviabilizasse o cumprimento da convocação”, afirma o documento protocolado pela oposição à PGR.

Mauro Vieira foi convocado para prestar depoimento no Congresso Nacional após responder para a Comissão de Relações Exteriores do Senado que há chances de intervenção dos Estados Unidos ao Brasil após o governo norte-americano classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

“A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional. O governo brasileiro tem reiterado sua posição de que tal classificação não traz benefícios concretos ao combate ao crime organizado, e vem buscando reforçar o diálogo bilateral para incrementar a cooperação na matéria, com base no respeito ao Estado de Direito e à soberania nacional”, declarou Vieira, em nota enviada ao Congresso.

Os parlamentares, tanto da Câmara quanto do Senado, julgaram as declarações do chanceler como vagas e o convocaram para que esclarecesse com quais dados e informações o chanceler teve acesso para realizar tais declarações. Um novo depoimento do ministro deve ser agendado.