Governo segue negociando tarifaço, mas Lula ameniza situação
Casa Branca tem até quarta-feira para definir se aplicará tarifas de 25%
Na véspera do governo dos Estados Unidos (EUA) implementar as tarifas de 25% na importação de produtos brasileiros, prevista para começar nesta quarta-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, ao ser questionado por jornalistas, que “não vai ter tarifaço” e não deu mais detalhes.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (13) durante lançamento de turbina movida a etanol, em São José dos Campos (SP). E durante o evento, ao falar sobre o etanol, Lula citou o presidente dos EUA, Donald Trump (Republicano), e voltou a defender a soberania brasileira.
“Ao invés do Trump ficar brigando, a gente é que tem que brigar para fazer com que o mundo aposte em um outro modelo na produção de combustíveis. Não tem que ser o [combustível] fóssil, pode ser produzido por muitos países, sobretudo na América Latina e no continente africano. A gente vai gerar emprego, vai gerar desenvolvimento. O dado concreto é que, se a gente não brigar, a gente perde”, defendeu Lula em discurso.
Apesar de não estar oficializado, o governo federal não descarta a possibilidade de uma nova reunião com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, até esta quarta-feira, no limite do prazo para implementar (ou não) as taxações.
Nos bastidores, parte da estratégia do governo federal mira na reação interna da indústria e do comércio norte-americano, que também será impactado com a aplicação das taxas a produtos brasileiros e, consequentemente, aumentará o preço final dos produtos americanos. Além disso, também segue a expectativa de que o governo norte-americano amplie a lista de exceções, especialmente aos produtos que o Brasil mais exporta para os EUA.
Consequências
Projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que, se a Casa Branca confirmar e implementar as taxações, 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos serão afetados, o que equivale a US$ 14,9 bilhões em exportações. Dentre os produtos taxados, estão o álcool etílico, o açúcar refinado, molduras de madeira, hidróxido de alumínio, tabaco e granito monumental ou de construção.
As novas tarifas norte-americanas, se confirmadas, serão oriundas de uma investigação comercial aberta pelo USTR contra o Brasil, que acusam o país de realizar praticas comerciais consideradas injustas para o comércio americano. Vale destacar que, para além da taxa base de 25% para mercadorias brasileiras por suposta prática desleal contra produtos americanos, Donald Trump também anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falhas no combate ao trabalho forçado, no qual o Brasil foi incluindo. Em outras palavras, somando ambas as tarifas, os produtos brasileiros podem ser taxados em até 37,5%.
Dentre os pontos citados pelo USTR para acusar o Brasil de comércio injusto com os Estados Unidos estão: o PIX, a corrupção, o desmatamento, acordos comerciais com outros países, proteção com propriedade intelectual norte-americana (o combate à pirataria) e o acesso ao mercado de etanol.
Desde o comércio das negociações para tentar conter as tarifas, a diplomacia brasileira defende que os argumentos norte-americanos são infundados, sem provas concretas, e que desconsideram as provas apresentadas pelo Brasil em ações de combate ao trabalho escravo.