PF mira ponte entre Flávio e Vorcaro para "Dark Horse"

Thiago Miranda criou rede para intimidar e coagir autoridades e descredibilizar o BC

Por Gabriela Gallo

Thiago Miranda prestou diversos serviços para Vorcaro

Em novos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master, a Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero. Esta fase teve como intuito apurar indícios de atuação coordenada em redes sociais voltada para comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central (BC).

Sob determinação do ministro-relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, o alvo de busca e apreensão, pessoal e domiciliar, é o publicitário Thiago Miranda, a ponte entre Daniel Vorcaro e o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no financiamento que o banqueiro fez para o filme biográfico do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) “Dark Horse”.

O dono do Banco Master se comprometeu a repassar US$ 24 milhões (o equivalente a R$ 134 milhões na época) para o longa-metragem e chegou a transferir US$ 10,6 milhões (o equivalente a R$ 61 milhões). Essa foi a primeira operação autorizada pela PF que envolve “Dark Horse”, desde os audios e conversas vazadas entre Flávio e Vorcaro.

Fundador da agência MiThi, conhecida como Miranda Comunicação, Thiago Miranda é acusado de, juntamente com o dono do Master Daniel Vorcaro, “proteger o núcleo dirigente da organização criminosa; manipular a opinião pública; e coagir, intimidar e violar dados sigilosos de jornalistas concorrentes e pessoas ligadas ao Banco Central [BC]”.

Influenciadores

Segundo as investigações, Miranda contratava influenciadores digitais e profissionais de comunicação, “mediante a assunção do compromisso prévio de confidencialidade, exigindo-se, como contrapartida, que tais profissionais questionassem decisões de instituições públicas, com o objetivo de descredibilizá-las junto à opinião pública”. Os acordos de confidencialidade firmados com as pessoas que eram contratadas eram de multas elevadas, com valores que poderiam chegar a R$ 2 milhões. Tal grupo foi nomeado “Projeto DV”. Essa campanha virtual voltada a para atacar e descredibilizar órgãos regulatórios se intensificou após o Banco Central negar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Para além de descredibilizar o BC, os agentes públicos ainda apontam um grupo especializado em intimidar jornalistas, monitorar pessoas ligadas a autoridades e obter indevidamente informações sigilosas acerca dessas pessoas. Dentre os alvos que citados pela polícia, está o CEO do Banco Itaú, Milton Maluhy Filho e sua esposa, Camila Moretti Maluhy.

“Nos diálogos identificados, Daniel Vorcaro envia as seguintes mensagens à Thiago Mirante: ‘Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema. Me ajuda nisso?’ No minuto seguinte, Thiago responde: ‘Deixa comigo’”, aponta trecho da investigação.

O outro lado

Em nota divulgada para a imprensa, a defesa de Thiago Miranda negou qualquer ilegalidade cometida pelo publicitário e informou que ele está à disposição da Justiça para demais questionamentos.

“A defesa esclarece que a existência de investigação em curso não autoriza qualquer juízo antecipado de culpa, devendo ser rigorosamente preservadas as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e, sobretudo, da presunção de inocência”, afirma a nota, assinada pelo advogado Rafael Martins.