Zema critica Lula e Bolsonaro por ações sobre tarifaço
Ao Correio da Manhã, candidato do Novo disse que "Brasil colhe e que plantou" e que a questão era "de governo, não de candidato"
O ex-governador de Minas Gerais e candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, criticou as posições tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu governo quanto do candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), frente à ameaça de novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros.
Sobre Lula, Zema afirma que o Brasil, ao ver a ameaça de sobretaxação, “colhe o que plantou”. Segundo Zema, Lula é “fã de carteirinha” de governos como o de Cuba e da Venezuela e inimigo dos Estados Unidos. “Se eu sou presidente dos Estados Unidos e estou vendo lá um presidente de um país agir dessa maneira, será que eu tenho interesse de contribuir com esse país? Eu vou ter interesse em fazer uma retaliação. Então, me parece que nós estamos colhendo aquilo que foi plantado. O que nós precisamos é tratar bem os Estados Unidos. E isso, Lula não faz”, declarou.
O candidato do Novo não detalhou o que seria tratar bem os Estados Unidos. Nem o que objetivamente o governo Lula faria contra o país. Nas suas relações comerciais, os Estados Unidos têm um superávit de US$ 1,5 bilhão com relação ao Brasil. Mas, de fato, Lula vem intensificando parcerias com outras nações, tanto que, durante os anos de governos do PT, a China ultrapassou os EUA tornando-se o principal parceiro comercial brasileiro.
De governo
Zema, porém, fez uma crítica à presença de Flávio Bolsonaro na audiência que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) promoveu. O encontro era destinado à discussão de empresários dos dois países, mas Flávio inscreveu-se e discursou na terça-feira (7) por cinco minutos.
Na avaliação de Zema, a negociação sobre o tarifaço seria uma “atribuição de governo, e não de candidato”.
Zema respondeu a uma pergunta do Correio da Manhã nas avaliações que fez sobre o tarifaço, após participar de um almoço nesta quarta-feira (8), com empresários e parlamentares, promovido pela Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN) e pelo Instituto Unidos pelo Brasil (IUB). A frente pretende conversar com todos os presidenciáveis, e começou por Zema.
Choque moral e ético
Ao defender suas propostas de candidatura, Zema disse que o Brasil precisa de “três choques”. O primeiro seria o “choque moral e ético”.
“Não tem outro candidato que tenha criticado mais essa situação, a força dos Intocáveis”, disse Zema. Em postagens nas redes sociais, com a utilização de marionetes de autoridades da República, especialmente ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Zema os tem chamado de “Intocáveis”, pessoas que, na sua avaliação, estariam acima do bem e do mal. “Temos que acabar com essa pouca vergonha do Supremo Tribunal Federal. Em qualquer país sério, eles já teriam sido expelidos”, afirmou.
Choque contra a gastança
O segundo choque seria “contra a gastança”. Para Zema, nenhum país com a taxa de juros hoje promovida no Brasil tem condições de crescer. E isso, na sua avaliação, se deve aos gastos da máquina do Estado, que pressionam a inflação e elevam, como mecanismo de controle, a taxa de juros.
Para isso, Zema propõe mudanças que reduzem gastos: reforma previdenciária, administrativa e trabalhista. Sobre o trabalho, o candidato do Novo propõe uma alternativa à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) com contratos por hora trabalhada, como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos.
Choque de segurança
Finalmente, o terceiro choque seria na segurança. Zema defende a classificação de qualquer organização terrorista como criminosa. E propõe o modelo que foi usado em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele. Zema afirma que foi ao país e viu o modelo de perto. “Esse país reduziu em 90% a sua taxa de homicídios e hoje é o mais seguro das Américas ao lado do Canadá”, afirmou.
Lá, segundo Zema, o crime organizado passou a ser tratado como terrorismo. “A partir disso, nenhuma pena ficou menor que 20 anos. Quando o custo do crime fica alto, o bandido começa a repensar”, avalia ele.
Segundo a pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, Zema aparece em quarto lugar nas intenções de voto para o primeiro turno, com 2,5%.