Campanha de Lula precisa migrar dos canais institucionais
Ao Correio, especialista em marketing avalia trocas na Secom para a eleição
Faltando três meses para as eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz mudanças internas em sua equipe de governo para reforçar no suporte da sua campanha eleitoral. A principal mudança é a saída do fotógrafo oficial da Presidência, Ricardo Stuckert, da Secretaria de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual para que possa assumir as redes sociais da campanha eleitoral. A exoneração de Stuckert foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (6). Ele coordenará as redes sociais juntamente com Nicole Briones, que hoje faz esse trabalho no PT.
Outros nomes previstos para serem exonerados nos próximos dias são os assessores da Secretaria de Comunição Social da Presidência da República (Secom) Raquel Sepúlveda, Gustavo Couto e Gilberto Santos. Ao deixarem as Secom, os três ficarão encarregados do atendimento à imprensa na campanha do petista.
Reorganização
Ao Correio da Manhã, a especialista em Marketing e Comunicação Estratégica e CEO da AIS Agency Eliz Grigoletti afirmou que a movimentação na equipe de comunicação não deve ser vista “como ato isolado de precaução”.
“Ela indica uma reorganização da comunicação do candidato à reeleição estrategicamente pautada em dois eixos fundamentais de campanha: a presença nas redes sociais para aproximação com o eleitorado e a interlocução com veículos de comunicação”, explicou Eliz.
Contudo, a especialista em marketing reiterou que “a linha tênue que deve ser observada pelo governo, e acompanhada de perto pelos adversários, está em distinguir o uso desse capital como experiência profissional legítima ou eventual aproveitamento (de informações, acessos, estruturas, recursos) em favor da candidatura”.
Defeso
Vale destacar que, desde o último sábado (4), governos estão proibidos de fazer publicidade institucional de atos, programas, obras, serviços e campanhas por determinação da Justiça Eleitoral. É o chamado “defeso eleitoral”. De acordo com a lei eleitoral, a medida visa garantir a igualdade entre os pré-candidatos que disputarão para o Palácio do Planalto em 4 de outubro no primeiro turno. Além de publicidade institucional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também veta nomeações, demissões ou transferências de servidores do governo, além de também proibir repasses voluntários de verbas da União para estados e municípios (exceto em convênios que estão já em andamento).
Para a reportagem, a especialista em Marketing e Comunicação Estratégica avaliou que a estratégia que a equipe de comunicação de Lula precisa ter para agir sem interferir nas determinações da Justiça Eleitoral é migrar dos canais institucionais para os canais pessoais, partidários e políticos. “Com a publicidade oficial limitada, a pré-campanha deve trabalhar de forma restrita com a linguagem habitual de entrega e de forma mais ampla com narrativa, presença digital, bastidores, entrevistas, agenda pública e construção emocional da imagem do presidente”, detalhou Grigoletti.
Ela ainda ressaltou que, nesse momento, as redes sociais passam a ser prioridade para a campanha eleitoral justamente porque elas permitem essa mudança de tom.
“O que antes era comunicado oficial, com linguagem mais técnica e institucional pode agora ser reorganizado nos canais pessoais do candidato à reeleição com uma versão mais humanizada, direta e emocional. A exoneração de uma das principais peças da comunicação do governo [Stuckert] reforça essa leitura: a campanha quer aproveitar a imagem construída até aqui como governo e reorganizá-la em torno da figura de Lula como candidato à continuidade, criando uma conexão em um formato mais pessoal e próximo do eleitorado”, completou Eliz.